domingo, 6 de março de 2011

São Luiz do Paraitinga (SP) faz Carnaval da reconstrução

05/03/2011 - 22h02


São Luiz do Paraitinga (SP) faz Carnaval da reconstrução


DA AGÊNCIA BRASIL



Um dos Carnavais mais tradicionais do Estado de São Paulo está de volta. A festa de rua no município de São Luiz do Paraitinga (171 km de São Paulo), parcialmente destruído por uma enchente no início do ano passado, voltou a atrair milhares de foliões paulistas.
Depois de ter sido cancelado em 2010 por causa dos estragos da cheia do rio Paraitinga, que corta a cidade, o carnaval luizense foi retomado. A 30ª edição da festa mais famosa do município batizada pela prefeitura de Carnaval da reconstrução.
A ideia é chamar a atenção dos turistas, das empresas e do poder público para a necessidade de investimentos para recuperação dos prédios históricos da cidade, considerados patrimônio cultural brasileiro. Passados quase 15 meses da enchente, boa parte dos casarões de madeira localizados perto da praça principal da cidade permanece no chão e sem projetos de restauração.
"Três casarões, um ao lado do outro, e as fachadas de casas de todo um lado da praça continuam sem recursos para ser reconstruídos", disse neste sábado a assessora de Planejamento de São Luiz do Paraitinga, Cristiane Bittencourt, uma das responsáveis pelo revitalização da cidade.
Segundo ela, isso deve-se ao fato de que os casarões são propriedades privadas. A lei não permite que o governo invista na reconstrução deles. Prédio públicos, como igrejas, não entram nesta regra e por isso já estão sendo restaurados com recursos públicos.
Para Cristiane, a proibição não faz sentido, já que prejudica toda a população, que não pode ver e visitar um conjunto arquitetônico de mais de 200 anos. "O que é patrimônio em São Luiz é o conjunto de prédios. É a vista do todo, que não estará completa até que pelo menos as fachadas de todos os casarões estejam refeitas."
O carnaval de São Luiz do Paraitinga começou na sexta-feira (4) e vai até terça-feira (8). Mesmo debaixo das chuvas intermitentes desde o início da semana, mais de 30 blocos desfilam na folia do município, embalada principalmente por marchinhas.
Para os foliões, a volta do carnaval é mais um passo para a retomada da vida normal na cidade. Eles também apoiam a iniciativa da prefeitura de buscar ajuda para a reconstrução dos prédios destruídos. "Voltamos a ter um carnaval animado", disse o dentista e folião Paulo Briet. "É isso que as pessoas e a cidade precisam. Precisamos voltar a ser o que éramos."
O advogado Lindsei Frank passa o carnaval em São Luiz do Paraitinga há anos e também está feliz com a retomada da festa. "Depois da enchente, o carnaval está menor, mas melhor."

PRESERVAÇÃO
Um dos mais conhecidos do Estado de São Paulo, o Carnaval de São Luiz do Paraitinga passou por modificações neste ano para se tornar mais sustentável. A festa mudou de local e foi redimensionada para que não ameaçasse os prédios do centro histórico parcialmente destruídos por uma enchente no ano passado.
Neste ano, o carnaval foi levado para uma praça ao lado da rodoviária, onde foram montados o palco e quiosques e instalados dezenas de banheiros químicos.
O público da festa também foi reduzido para facilitar a segurança das pessoas e do patrimônio arquitetônico da cidade. Tradicionalmente, cerca de 50 mil turistas participavam dos quatro dias de folia. Isso é quase cinco vezes o número de habitantes do município. Já neste ano, são esperados na cidade 10 mil foliões.
Nesta semana, o nível do rio Paraitinga subiu novamente, encobriu ruas e acabou assustando alguns turistas que planejavam passar o Carnaval em São Luiz.
No entanto, nem a chuva nem as mudanças diminuíram a animação dos foliões. Hoje, no segundo dia da festa, milhares de pessoas lotaram à avenida em frente à rodoviária, que faz parte do novo percurso dos blocos da cidade.
A prefeita de São Luiz do Paraitinga, Ana Lúcia Bilard (PSDB), disse hoje que espera que no ano que vem, após as obras de revitalização dos prédios da cidade, o carnaval volte ao centro histórico. O projeto dela, porém, é manter a festa com menos pessoas para garantir a preservação do município
 
Fonte: Folha de São Paulo

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