quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Desastre duplo na Indonésia já deixa 310 mortos; brasileiro sobreviveu à tragédia


Um tsunami e uma erupção vulcânica em duas regiões distintas da Indonésia já deixaram ao menos 310 mortos, mais de 400 desaparecidos e dezenas de milhares de desabrigados, informaram autoridades locais nesta quarta-feira.
O brasileiro Fábio Junqueira Karkow, de 46 anos, estava em uma das vilas atingidas pelo tsunami, mas não sofreu nenhum tipo de ferimento, informou ele por telefone à Embaixada do Brasil em Jacarta, capital da Indonésia. Ele viajou como turista e estava hospedado em um resort quando as ondas até três metros invadiram a região.
Karkow deverá chegar a Jacarta nesta quinta-feira, e seu retorno para o Brasil está previsto para a sexta-feira, com chegada em São Paulo. O destino final do brasileiro é Florianópolis (SC), onde vive com a família.
Um dos vulcões mais ativos do país lançou nuvens de cinzas e jatos de gás causticante em uma erupção que matou ao menos 28 pessoas e feriu 14.
O vulcão Monte Merapi, próximo à cidade de Yogyakarta, na ilha de Java, entrou em erupção nesta terça-feira (26), um dia depois de um dia tsunami atingir ilhas distantes no oeste da Indonésia, a 1.300 km dali. O fenômeno aconteceu após um terremoto de magnitude 7,7 perto da costa de Sumatra.
O número de mortos pelo tsunami já chega a ao menos 282 e 411 pessoas estão desaparecidas, disse a autoridade de desastres da província de Sumatra Oeste, Ade Edward. A Agência Nacional de Mitigação de Desastres informou em seu site que 4.000 pessoas ficaram desabrigadas por causa do tsunami.
O presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono, interrompeu uma viagem oficial ao Vietnã e voltou ao país para acompanhar os esforços de resgate.
A Indonésia tende a sofrer com grande atividade sísmica e vulcânica devido a sua localização no 'Anel de Fogo do Pacífico', uma série de falhas geológicas que se estendem do hemisfério Ocidental até o Japão e o sudeste asiático.
Há mais de 129 vulcões ativos na Indonésia, espalhados pelas 17.500 ilhas, mas o Merapi há muito é considerado um dos mais voláteis.
A falha geológica na costa da ilha de Sumatra, responsável pelo tsunami, foi a mesma que causou um terremoto em 2004 e um tsunami monstro no Oceano Índico, que matou 230 mil pessoas em 12 países.
Ao menos 28 pessoas foram mortas devido a queimaduras letais causadas pelo ar quente liberado pelo vulcão no final da terça-feira, informou Kresno Heru Nugroho, porta-voz do hospital Sardjito, em Yogyakarta.
Algumas pessoas sofreram queimaduras tão graves que não puderam ser reconhecidas, disse seu colega Endita Sri Andrianti.
Merapi significa, literalmente, Montanha de Fogo e o vulcão fica na principal ilha de Java, cerca de 500 km a sudeste da capital Jacarta.
Equipes de resgate buscam sobreviventes em vilarejo indonésio atingido por cinzas da erupção do Monte Merapi
Um representante do hospital disse que entre as vítimas fatais provavelmente está o guardião espiritual da montanha, Mbah Maridjan, que muitos javaneses acreditam ter poderes mágicos. Exames eram feitos para tentar identificar se ele era uma das vítimas. Ele era tido como um protetor que usava uma combinação de rituais islâmicos e animistas para manter o Merapi sob controle.
Muitos indonésios publicaram tributos ao guardião nas redes sociais Twitter e Facebook. O sultão de Yogyakarta também apareceu na Metro TV para pagar tributo ao guardião.
Muitas das vítimas foram encontras na casa do guardião ou perto dela, na vila de Kinahredjo, perto da cratera do vulcão, informou a imprensa local.
"Todas as casas estão cobertas com cinzas, completamente brancas. As folhas das árvores foram queimadas", disse o câmera Johan Purnomo.
O principal especialista em vulcões do país, Surono, disse que o vulcão agora está "bem calmo", mas que a trégua pode ser temporária.
"Aconselhei autoridades locais a continuarem removendo as pessoas. Ainda estamos no mais alto alerta." A Metro TV mostrou alguns moradores voltando para casa nesta quarta-feira.
Em 1994, uma erupção matou 70 pessoas. O vulcão também foi responsável por 1.300 mortes em 1930.
O terremoto de magnitude 7,7 que atingiu o país no final da segunda-feira, apenas 20 km abaixo do solo oceânico, foi seguido por ao menos 14 tremores subsequentes, o mais forte medindo 6,2, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês).
Após o tremor, o governo da Indonésia chegou a emitir um alerta de tsunami, mas depois o suspendeu, acreditando não haver risco de chegada de ondas ao seu litoral. O alerta de tsunamis no país parou de funcionar há um mês por causa de má manutenção, disse uma autoridade nesta quarta-feira.
Vista aérea revela região das ilhas Mentawai devastada pelo tsunami que já matou ao 272 pessoas na Indonésia
Centenas de casas de madeira e bambu foram varridas da ilha de Pagai, com as águas inundando plantações e estradas a até 600 metros da costa. Em Muntei Baru, uma vila na ilha Silabu, 80% das casas ficaram seriamente danificadas.
Essas e outras ilhotas atingidas fazem parte da cadeia de ilhas de Mentawai, um popular destino turístico para surfistas a 280 km de Sumatra.
Os desastres naturais que atingem a Indonésia nesta terça-feira chegam seis anos após o devastador tsunami de 2004 --considerado uma das maiores catástrofes dos tempos modernos-- que deixou mais de 220 mil mortos nos países banhados pelo Oceano Índico.
Provocada por um forte tremor na Indonésia, a tragédia ocorreu no dia 26 de dezembro de 2004 e atingiu as costas de 12 países.
Mais da metade dos 220 mil mortos provocados pela tsunami estava na Indonésia. A outra metade se dividiu por uma dúzia de países, entre eles Sri Lanka, Índia e Tailândia.
Milhares de indonésios precisaram ser rapidamente enterrados em vala comum, sem sequer serem identificados.
A comunidade internacional contribuiu com mais de US$ 7 bilhões para a reconstrução de Aceh, uma das Províncias indonésias totalmente destruídas.
O Sri Lanka registrou 31 mil mortes e na Índia mais de 16 mil pessoas morreram.
Na Tailândia o número de mortos chegou a 5.400 e em todos os países atingidos milhares perderam suas casas.

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