sexta-feira, 16 de abril de 2010

Isolamento prejudica trabalhos de resgate após terremoto na China

14/04 - 16:14 , atualizada às 04:10 15/04 - iG São Paulo

As autoridades chinesas correm contra o tempo, a distância e o vento em uma remota área do platô tibetano para tentar resgatar mais vítimas do terremoto que deixou mais de 600 mortos e 10 mil feridos no noroeste da China.
Segundo a TV estatal, equipes compostas de 700 soldados trabalham basicamente com as mãos e sem ferramentas e conseguiram retirar 900 pessoas dos escombros. Outros 5 mil foram enviados à região.
O terremoto aconteceu na manhã desta quarta-feira em um dos locais de mais difícil acesso do país, o município de Yushu, na província de Qinghai. Da população de 80 mil habitantes, a maioria é tibetana.
As dificuldades logísticas frustraram as equipes de resgate. Linhas telefônicas e de luz elétrica caíram, e fortes ventos atingiram o platô. A 3.657 de altura, Yushu está a uma dia de viagem de carro do principal aeroporto mais próximo, na capital da província, Xining.
Num pequeno aeroporto vizinho aberto recentemente faltam tanques de combustível. Além disso, esse aeroporto está sem energia e sem equipamentos de comunicação por causa do terremoto.
Na cidade de Jiegu, perto do epicentro, mais de 85% dos edifícios desabaram, segundo o governo local. Entre os prédios afetados está uma escola profissionalizante, onde muitos estudantes ficaram soterrados.
O terremoto aconteceu às 7h49 locais (20h49 de terça em Brasília) e teve magnitude de 6,9 graus, de acordo com o Instituto de Geofísica dos Estados Unidos (USGS), e de 7,1 segundo o governo chinês. O tremor foi seguido de três réplicas, de até 5,8 graus, segundo o instituto americano
Precisamos agora de equipes com treinamento especial para resgate, porque estamos praticamente nos desenterrando sozinhos", afirmou Pubu Cairen, chefe do serviço de emergência à CCTV. "Quando voltei para casa para verificar qual era seu estado após o tremor, a encontrei destruída e minha mãe morta", disse tentando conter a emoção.
"É muito difícil salvar pessoas com as próprias mãos", disse Shi Huajie à estação de TV chinesa.
Soldados do Exército de Libertação do Povo posicionados em Yushu começaram a fazer a segurança dos bancos, depósitos bancários e estoques de armas e explosivos logo após o terremoto, indicou a CCTV, mas não há informações de saques ou de tensões étnicas.
O terremoto aconteceu menos de dois anos depois do tremor de maio de 2008, que devastou a província de Sichuan, também perto do Tibete, que deixou 87 mil mortos e desaparecidos.
Assim como no terremoto de Sichuan, o Exército chinês provavelmente assumirá o principal papel no trabalho de resgate. A Força Aérea ordenou que 1,5 mil soldados e 100 paraquedistas prestem assistência na região atingida.
O governo chinês liberou uma ajuda de emergência de 200 milhões de yuanes (US$ 29,3 milhões) para a província de Qinghai. Os fundos permitirão financiar, entre outras coisas, a retirada dos habitantes e seu alojamento, os cuidados médicos e a prevenção de enfermidades.

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