sexta-feira, 5 de março de 2010

Terremoto no Chile: Atualizado

Governo do Chile identifica 279 vítimas do terremoto e decreta luto nacional
04/03 - 20:43 - iG São Paulo


O governo do Chile identificou nesta quinta-feira 279 vítimas do terremoto que atingiu o país no fim de semana, e decretou três dias de luto nacional. O número de mortos, porém, é maior do que o de vítimas identificadas, já que chega a 316 apenas na região de Maule.
Nesta quinta-feira, a presidente chilena, Michelle Bachelet, afirmou que o número de mortos em Maule, uma das áreas mais atingidas pelo terremoto, é de 316 e não de 587.
Durante uma visita de inspeção à castigada cidade de Talca, no centro-sul do país, Bachelet indicou que a diferença de 271 mortos ocorreu porque em vários povoados da região se somaram os desaparecidos à lista de vítimas fatais. "Os médicos legistas farão um estudo do que aconteceu, pois desaparecidos teriam sido incluídos como mortos", afirmou.
O governo afirmou que iria divulgar um novo balanço quando a informação estiver completamente verificada. O último boletim oficial contabilizava, no total, 802 mortos.
Segundo Bachelet, aparentemente foram dadas como mortas 200 pessoas cujo destino ainda se desconhece. Elas participavam de uma celebração na ilha Orrego, na foz do rio Maule, onde foram encontrados sete sobreviventes.
"Se houver menos mortos, melhor. Havia uns 200 desaparecidos (em Maule) e esse é o número que causa discrepância. A informação veio do município, dos bombeiros e dos carabineiros (a polícia chilena)", explicou.
Em Santiago, o vice-secretário do Interior, Patricio Rosende, pediu que se compreenda o contexto em que o erro aconteceu. "É preciso entender as autoridades e não lhes atribuir um erro. É preciso compreender a informação passada inicialmente em um contexto de muito medo, com problemas de energia", disse.
Também nesta quinta-feira, Bachelet decretou três dias de luto nacional pelas vítimas, que começam a valer a partir das 0h de domingo.


Marinha do Chile admite erro em alerta de tsunami
03/03 - 12:02 , atualizada às 14:05 03/03 - iG São Paulo

O comandante-chefe da Marinha chilena, almirante Edmundo González, admitiu que o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha (Shoa, na sigla em espanhol) não deu à presidente chilena, Michelle Bachelet, informações claras sobre o risco de tsunami na região costeira do Chile após o terremoto de 8,8 graus que atingiu o país no sábado, informa nesta quarta-feira a imprensa chilena.
A declaração surge em meio às informações de que a maior parte dos quase 800 vítimas da tragédia morreu em consequência do tsunami, e não do próprio terremoto. No domingo, o ministro da Defesa do Chile, Francisco Vidal, disse que "houve um erro da Marinha, que não fez o alerta correspondente".
Segundo Vidal, o alerta de tsunami chegou somente uma hora depois do terremoto. "Além disso, o aviso era sobre ondas de dezoito centímetros e elas foram muito maiores", destacou. "O erro da Marinha foi visível nas regiões onde o tsunami foi registrado", completou.
Segundo um documento obtido pelo jornal El Mercurio, os militares não teriam disparado o alarme de alerta de tsunamis por considerar que não havia risco por acreditar que o epicentro do tremor tivesse sido em terra, e não no mar.
Segundo o jornal La Tercera, o almirante González, porém, afirmou na terça-feira que o Escritório Nacional de Emergências do Chile (Onemi, na sigla em espanhol) recebeu o primeiro alerta sobre a possibilidade do tsunami às 3h55, com a informação tendo sido protocolada oficialmente "meia hora depois do terremoto (4h07)", que ocorreu às 3h34.
A primeira onda do tsunami afetou a costa de Curanipe às 3h54 - ou seja, no momento da emissão do alerta inicial e 20 minutos após o terremoto. O arquipélago Juan Fernández foi impactado às 4h30, quase 35 minutos depois de a Marinha ter avisado o Onemi.
Apesar de negar que a Marinha não tivesse feito a advertência com a antecedência devida, González por outro lado admitiu que a entidade não foi clara ao passar as informações à presidente do Chile, Michelle Bachelet. De acordo com ele, Bachelet ligou para o Shoa às 5h15 de sábado para saber se era necessário manter a advertência.
"Hesitamos em dizer que as condições que havíamos informado há um hora se mantinham. Isso fez com que a Onemi, por instruções da presidente, não declarasse o alerta", relatou. "Compartilhamos a responsabilidade. A presidente fez o correto: perguntou ao órgão técnico e não fomos claros", admitiu.
Depois do terremoto, ondas de até 15 metros arrasaram cidades costeiras, ilhas e portos. Em algumas zonas, a água avançou mais de 2 quilômetros terra adentro, causando a morte de centenas de pessoas.
O governo da presidente Michelle Bachelet, que deixará o cargo em 11 de março, disse que ficará para depois a chamada "caça às bruxas", pois agora vai se concentrar nos trabalhos de busca de sobreviventes.
Equipes de resgate trabalham com a ajuda de cachorros nas cidades e povoados mais afetados pelo tremor com a esperança de encontrar sobreviventes. Outras equipes buscam corpos que estariam enterrados sob montanhas de escombros.
Até o momento foram confirmadas 799 mortes, seja pela ação direta do terremoto ou pelos tsunamis ocorridos em sequência na costa chilena.
O número de vítimas fatais possivelmente aumentará, uma vez que o número de desaparecidos chega a 500 apenas em Constitución, a cidade até agora mais afetada por três ondas gigantes, de até 10 metros. Por enquanto com 353 mortes confirmadas, a cidade contabiliza quase metade dos mortos no desastre.

*Com informações da Reuters

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