quarta-feira, 10 de março de 2010

Patrimônios da Humanidade no Brasil parte VII

Parque Nacional do Iguaçu

Criado em 1939, o Parque Nacional do Iguaçu fica em posição estratégica, na fronteira entre Brasil, Argentina e Paraguai. É ali que o rio Iguaçu se encontra com o Rio Paraná e segue para a Argentina. No caminho, eles formam algumas das quedas de água mais impressionantes do mundo.
Com rica fauna e flora de sua cobertura original de Mata Atlântica, o Parque foi o primeiro sítio brasileiro a entrar para a Lista do Patrimônio Mundial Natural, em 1986, por respeitar os seguintes critérios:
conter fenômenos naturais extraordinários e áreas de uma beleza natural e uma importância estética excepcionais
conter os habitats naturais mais importantes e mais representativos para a conservação in situ da diversidade biologia, incluindo aqueles que abrigam espécies ameaçadas que possuam um valor universal excepcional do ponto de vista da ciência ou da conservação

Localização: extremo oeste do Estado do Paraná
Área: 185.265 hectares abrangendo três cidades: a brasileira Foz do Iguaçu, a paraguaia Ciudad del Este e a argentina Puerto Iguazú
Latitude: entre 25º00’ e 25º45’ sul
Longitude: entre 53º30’ e 54º35’ oeste
Vegetação: floresta subtropical úmida
Clima: temperado úmido
Índice Pluviométrico: aproximadamente 1.700 milímetros anuais, sem estação seca
Temperatura média: 21º Celsius
Umidade relativa do ar: entre 75% e 95%
Altitude: entre 164 metros a 600 metros
Distância: 637 quilômetros de Curitiba


Parque Nacional do Iguaçu

O ENCANTO DAS ÁGUAS
por Percival Tirapeli *

“Esta maravilha não pode continuar a pertencer a um particular; eu vou a Curitiba falar com o presidente para providenciar imediatamente a expropriação das Cataratas” (Rios, 1973). Três meses depois, ainda em 1916, o Estado do Paraná comprava o lote de terras com as Cataratas, graças à intervenção pessoal do autor dessa indignada frase, Santos Dumont, o pai da aviação, que acabara de conhecer a região. Em 1919, estava lavrada a escritura. Em 1934, a Argentina passava a preservar a chamada Reserva Nacional del Iguazú, com área de 55.500 hectares. Somente em 1939 o Parque foi criado legalmente no Brasil, após a compra e ampliação da área, em 1930, pelo governo do Estado. O decreto de 1939 recebeu emendas em 1944 e 1981, com o intuito de ampliar a área de abrangência.
Dentre os critérios que justificam a inclusão do Parque Nacional do Iguaçu desde 1986 como patrimônio mundial natural da UNESCO está o fato de que ele apresenta, como a vizinha Argentina, “fenômenos, formações ou particularidades naturais, raros e de singular beleza, contendo um ecossistema importante junto a rios e quedas-d’água de beleza excepcional. Tem grande concentração de animais e vastas extensões de vegetação natural” (Dossiê IBDF/UNESCO, Foz do Iguaçu). Além disso, Iguaçu é parte da floresta tropical úmida, que preserva espécies ameaçadas de extinção; e protege também o Rio Floriano, o único livre de poluição em toda a Bacia do Rio Paraná.

IGUAÇU - ÁGUA GRANDE
Por Percival Tirapeli *

A força das águas do Parque Iguaçu (do guarani, “água-grande”) é a mesma que há 250 milhões de anos se precipita sobre as rochas, esculpindo esse ícone das belezas naturais da terra. Uma lenda indígena conta que o estrondo ensurdecedor das águas foi causado por Tarobá, guerreiro e namorado que raptara a bela virgem Naipi, que seria oferecida ao deus-serpente M’Boi, filho de Tupã, que morava no calmo Rio Iguaçu. Raivoso, o deus desnivelou a terra precipitando a canoa dos amantes pela Garganta do Diabo — onde hoje vive a virgem no meio das espumas, enquanto Tarobá se ergue por entre as pedras transformado em árvore, contemplando-a por entre a brisa e o arco-íris.
O Rio Iguaçu nasce no reverso da Serra do Mar, a 1.300 metros de altura, e em seu início recebe os dejetos da capital do Estado do Paraná, Curitiba. Seu curso atravessa a serrinha paranaense com depósitos devonianos, prosseguindo pelas formações permeanas e carboníferas para depois seccionar uma pilha de derramamento basáltico que, mais próximas ao Rio Paraná, dá as legítimas terras gordas do Estado do Paraná. Rumo oeste, segue por um sinuoso curso de mais de 300 quilômetros, indo desaguar no Rio Paraná, a apenas 90 metros acima do nível do mar. Sua vazão varia entre 300 e 6.500 metros cúbicos, com média de 1.400 metros cúbicos por segundo. Na parte alta, é bastante amplo com margens baixas e águas calmas, exceto por numerosas corredeiras e saltos ao longo do curso.
O Parque Nacional do Iguaçu faz parte de um amplo platô, formado por lavas basálticas durante a era mesozóica, há mais de 135 milhões de anos, quando a Bacia do Paraná foi palco das maiores e mais intensas atividades vulcânicas de toda a história geológica do planeta. Durante as tensões que redundaram na separação dos continentes africano e americano (antigo continente gondwânico), as lavas ascenderam pelas falhas e fendas tectônicas, sem formar os típicos cones vulcânicos, cobrindo uma área de mais de 1 milhão de quilômetros quadrados no Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. As ocorrências de basalto aconteceram durante um período de clima árido, e as lavas cobriram grande porção do imenso deserto triássico designado Botucatu. Entre os vários fluxos de lava, o vento do deserto continuou a depositar areia, originando assim camadas de arenito por entre as camadas de rocha basáltica, resultando na intercalação de arenito e derrame basáltico em muitas localidades.

VEGETAÇÃO
Por Percival Tirapeli *

O Parque Nacional do Iguaçu contém a mata pluvial subtropical do terceiro planalto, que ocorre no extremo oeste do Estado, em uma faixa de 80 quilômetros de largura, na margem esquerda do Rio Paraná, subindo ao Iguaçu e seus afluentes. As ocorrências mais importantes no sudoeste do Paraná são a extração ilegal do palmito (Euterpe edulis), a pequena altura de seu tronco, a presença de agrupamentos de fetos arbóreos e a riqueza em leguminosas. Entre as palmeiras, ao lado do palmito, dominava o gerivá (Syagrus romanzzofiana) e os pteridófitos representados na mata subtropical por três espécies de Cyathea e 32 de Alsophila. Apresenta ainda grande riqueza em epífitas, bromeliáceas, aráceas, orquídeas e lianas. Ocorrem também matagais de taquara (Merostachys sp) e agrupamentos de taquaruçu (Bambusa sp e Guadua sp). Na região diretamente atingida pelo vapor das águas das cataratas, verifica-se a ocorrência de Cereus peruvianos e Cereus sp, tratando-se provavelmente de relictos (remanescente de uma espécie em vias de extinção) do clima semiárido do antigo Quaternário no Paraná (Maack, 1968).
A caviúna (Machaerium sp) e a aqüifoliácea erva-mate (Ilex paraguariensis) são agrupamentos que geram economia específica e relevante. As matas que são verdes, em parte do ano ostentam cedro (Cedrela sp), ipê (Tabebuia sp), todos os tipos de jacarandá e alguns Podocarpus sp. Outra espécie de dominação vegetal na região é a Mata de Araucária, um dos seis grandes domínios brasileiros morfoclimáticos e fitogeográficos. O Parque Nacional do Iguaçu pertence a uma faixa diferenciada, que margeia o domínio dos planaltos subtropicais com araucárias.

FAUNA
Por Percival Tirapeli *


A fauna é bastante diversificada, com algumas espécies ameaçadas de extinção. São mais de quarenta espécies, como morcegos, onça-pintada (Panthera onca), jaguatirica (Leopardus pardalis), cateto (Tayssu tajacu), queixada (Tayassu pecari), anta (Tapirus terrestris), mucura-de-quatro-olhos (Metachirops opossum) e ariranha (Pteronura brasiliensis). E ainda lontra-prata (Lutra platensis), suçuarana ou onça-parda (Puma concolor), gato-maracajá (Leopardus wiedii) e veado-galheiro (Mazama rufina). Jorge Padua et al. (1974) também apontaram cachorro-vinagre (Speothos venaticus) e tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla). Há registros de guariba (Alouatta caraya), macaco-prego (Cebus sp) e capivara (Hydrochoeris hydrochaeris).
São registradas mais de 340 espécies de aves, dentre elas, destacam-se o solitário macuco (Tinamus solitarius), gavião-real (Harpia harpyia) e jacutinga (Pipile jacutinga). Lamentavelmente encontra-se extinta pela ação predatória do homem a arara-glauco (Anodorhinchus glaucus). Entretanto, avistam-se outras espécies raras como papagaio-de-peito-roxo (Amazona vinacea) e charão (Amazona petrei), além de inúmeros pássaros trogonídeos como surucuá (Trogon viridis). Há ainda socó-boi (Tigrisoma solitarius e T. fasciatum), gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis) e gavião-pombagrande (Leucopternis lacernelata), pato-mergulhador (Mergus octocetaceus), pomba-de-espelho (Claravis pretiosa) e tucano (Ramphastos toco).
Muitas aves de migração ou arribação chegam ao parque, merecendo destaque falcão-peregrino (Falco peregrinus), maçarico-de-perna-amarela (Tringa flavipes) e andorinha-do-campo (Phaeoprogne tapera). Constituem-se ainda como fauna nacional típica pica-pau-carijó (Picumnus nebulosus) e pica-pau-anão-de-coleira (Picumnus temmincki). São conhecidas também mais de sessenta espécies de répteis, dentre os quais urutu (Bothops alternatus), além de quelônios, jacarés, dezenas de espécies de anfíbios e quase uma centena de espécies de peixes. Dos invertebrados destacam-se cerca de 700 espécies de borboletas que circulam pelo parque.

HERANÇA CULTURAL
Por Percival Tirapeli *

Os primeiros senhores da terra foram os indígenas das nações tupis-guaranis e grêns-caingangues, das quais hoje se encontram sítios arqueológicos ao longo do caminho anteriormente utilizado para migrações entre o interior e a costa, durante o período pré-colombiano. Por decreto do Papa Alexandre VI, de 1494, denominado Tratado de Tordesilhas, a região pertencia à Coroa da Espanha, que a colonizou a partir do Vice-Reinado do Prata, que se estendia do Peru até a Argentina, sendo capital Assunção (atual capital do Paraguai), fundada em 1537. O navegador espanhol Alvar Nuñez Cabeza de Vaca admirou esta que é considerada uma das mais belas quedas-d’água do mundo já em 1542, denominando-a Santa Maria. Mais tarde, os jesuítas fundaram várias missões na região, sendo uma delas Santa Maria, em cujo local teria existido a primeira oficina tipográfica no Novo Mundo, sendo ali impresso o primeiro dicionário guarani-espanhol, compilado pelo padre Antonio Luiz de Montoya em 1613. O ímpeto expansionista dos bandeirantes paulistas que dimensionaram o atual país-continente, Manoel Preto, em 1619, e Raposo Tavares, em 1629, frustraram as pretensões espanholas na região limítrofe dos três países que, pelo Tratado de Madri de 1750, passou legalmente a pertencer ao território brasileiro. No século XIX, a idéia de preservação já era lançada pelo engenheiro André Rebouças, inspirado pelo parque norte-americano de Yellowstone, primeiro a ser criado no mundo, em 1872. No Brasil, o primeiro parque nacional criado foi Itatiaia, em 1937, na Serra da Mantiqueira, abrangendo os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Em 1881, a região era quase desabitada, apenas com uma colônia em Sete Quedas. Em 1918, criou-se o município de Foz do Iguaçu. Hoje, eles formam um efervescente complexo agrícola, pólo turístico e zona de afluência de interesses internacionais e portal para o Mercosul, servido por estradas dos três países interligadas por pontes e aeroportos.

Fonte:http://www.universia.com.br/especiais/patrimonios_historicos/iguacu.htm

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