sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Patrimônios da Humanidade no Brasil parte II

Vista da Sé de Olinda


Centro Histórico de Olinda

Fundada em 1537 para ser sede de uma Capitania Hereditária, Olinda teve seu desenvolvimento estreitamente ligado ao ciclo da cana-de-açúcar.
No século XVII, foi dominda e destruída pelos holandeses em 1631 e reconstruída no mesmo século.
Possui um acervo arquitetônico representativo de várias épocas, integrado de maneira exemplar ao sítio físico, formando um conjunto particular, onde a presença da vegetação e do mar emprestam uma atmosfera ímpar à cidade.
Merecem destaque especial os seus edifícios religiosos do século XVI, igrejas e conventos, contruídos pelas missões religiosas, dos quais subsistem hoje raros exemplares.
Olinda foi escrita na Lista do Patrimônio Mundial Cultural em 17 de dezembro de 1982, sob os critérios:
ser a manifestação de um intercâmbio considerável de valores humanos durante um determinado período ou em uma área cultural específica, no desenvolvimento da arquitetura, das artes monumentais, de planejamento urbano ou desenho da paisagem
ser um exemplo excepcional de um tipo de edifício ou de conjunto arquitetônico ou tecnológico, ou de paisagem que ilustre uma ou várias etapas significativas da história da humanidade
Localização: litoral pernambucano. O polígono de tombamento de Olinda contém zonas de preservação urbanística e ambiental, repartidas em quatro áreas distintas: urbana de preservação rigorosa, urbana de preservação ambiental, verde de preservação rigorosa e de proteção e ambiência do conjunto
Latitude: 8º 1’ 48” sul
Longitude: 34º 51’ 42” oeste
Área: 40,83 Km2, sendo que o polígono de preservação abrange 10,4 Km2 e o de tombamento 1,2 Km2
População: 367.902 habitantes no município (IBGE, 2000)
Clima: tropical quente e úmido
Índice pluviométrico: entre 1.000 e 2.000 milímetros por ano
Temperatura média: 27º Celsius
Altitude: até 60 metros
Distância: 7 Km do Recife, capital de Pernambuco

Fachada do Mosteiro de São Bento

A PAISAGEM IDÍLICA
Por Percival Tirapeli *

Olhar a cidade de Olinda fundada em 1537, pelo primeiro donatário português, Duarte Coelho, permite desfrutar infinitas leituras do conjunto urbanístico e dos habitantes: suas múltiplas verdades vivas. Precedidas por antigas trilhas indígenas, as ladeiras íngremes portuguesas, que formam as ruas olindenses, encontram-se hoje perdidas entre becos, interrompidas por fundos de quintais que ainda guardam resquícios da vegetação — cajueiros, jaqueiras, jambeiros e mangabeiras — que serviu de paisagem cênica para as primeiras apresentações teatrais jesuíticas e inspiração para o primeiro poema brasileiro, Prosopopéia, de Bento Teixeira.
Olinda mostra-se atualmente como paisagem transformada: o estado de harmonia inicial, no qual o modus vivendi do silvícola se integrava à natureza, habitada por um sem-número de animais silvestres, deu lugar a uma extensão natural invadida e violada pela história do homem. Nos morros, entrecruzaram-se desejos lusos, neerlandeses e pátrios: corpos e almas contorceram-se em credos antagônicos, conformando um entreposto racial de convivência e delimitação territorial da fé e do capital.
Olhar Olinda é estar suspenso entre a terra e o mar: lugar entremeado de espécies aclimatadas, como palmeiras-imperiais, tamarindeiros e mangueiras, frutos que perfumam nossas memórias primordiais, brisas que nos remetem a um espírito sem fronteiras e céu que se inclina verdejante sobre a extensa e incontrolável massa do oceano.
Batizada inicialmente pelo colonizador europeu de Nova Lusitana, essa cidade perdida no imaginário americano foi cenário de lutas e invasões. Em 1537, a reconstrução da paisagem dá-se pela transposição do modelo de cidade medieval cristã para a terra brasileira recém descoberta: a defesa do cristianismo faz brotar em terras tropicais fortalezas, conventos, igrejas e santas-casas de misericórdia. A vila mudou de nome para Olinda e prosperou.

A PAISAGEM DO INVASOR

O desenvolvimento do cultivo açucareiro no interior da capitania do Pernambuco, que alcançou 99 engenhos, pouco tirou o brilho da Olinda litorânea. No entanto, o prestigio político e o cais acostável fizeram-na presa fácil das 67 naus holandesas com 7.000 homens, comandadas pelo almirante Hendrick Cornelizoon Loncq. Olinda, por sua vez, possuía na ocasião 2.000 almas, que resistiram aos invasores liderados por Matias de Albuquerque, posteriormente refugiado no arraial de Bom Jesus, de onde organizou a resistência aos conquistadores estrangeiros. Era 15 de fevereiro de 1630. O destino de Olinda estava nas mãos dos batavos, que retrataram, em pinturas, as ruínas do incêndio de 1631. O luxo das igrejas e casas da Lisboa Pequena, assim aclamada Olinda, que impressionaram o protestante Baer, serviram de fonte para um dos mais antigos perfis urbanos das Américas.
A ocupação holandesa no Brasil iniciou-se em Salvador (1624-1625), seguindo para Pernambuco (1630-1654) e daí por todo o Nordeste até São Luís do Maranhão (1641-1644). Olinda viveu um calendário de queda, tolerância e restauração. A resistência aos holandeses continuou até 1637, sendo sucedida por um período de convívio tolerante entre colonizadores e invasores, que se encantaram com o paraíso tropical, a exemplo de Maurício de Nassau, o iluminado alemão de formação humanista que governou em terras brasileiras as conquistas das Companhias das Índias Ocidentais (1638-1645). Por fim, preterida pelos holandeses em 1654, após 24 anos de guerras, Olinda começa a ser reconstruída.

Fachada da Igreja Nossa Senhora do Carmo


VIVER OLINDA

Olinda deixa de ser capital em 1827 mas não perdeu as tradições religiosas de procissões, que se estendem pelas ladeiras, ligando igrejas, capelas e passos. Apinhada de artistas, tem intensa vida cultural animada por artesãos que se dedicam aos preparativos das festas que colorem intensamente a paisagem.
A população de Olinda, independentemente das transformações socioeconômicas, manteve as tradições ao longo do tempo, não se incorporando às exigências da indústria cultural. As festas locais, com a numerosa participação da população, são representadas sistematicamente nas datas do calendário folclórico. Entre as inúmeras atividades, há folguedos como o bumba-meu-boi, fandangos, maracatus e pastoris e a festa de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, comemorada desde o século XVIII.
Segundo o sociólogo Gilberto Freyre, "Olinda é uma cidade de procissões" - a do Senhor dos Passos, Martírio, Enterro, Ressurreição, Corpus Christi, Nossa Senhora do Monte, Bandeiras, Amparo e Rosário. A representação pictórica da cidade, seja de traços físicos, seja de tradições, é executada por artistas estrangeiros e nacionais como Albert Eckhout, Cícero Dias e tantos outros. Expoentes de seu artesanato, Olinda produz ourivesaria, presépios, construídos desde seus primórdios. Bordadeiras, rendeiras e entalhadores, conhecidos como "pica-paus" se desenvolvem desde a infância.
A música é composta e executada por violeiros e repentistas nas praças da cidade. Há também muitas lendas e mitos, passados de geração a geração por meio da repetição verbal, como os casos de sinos que tocam sozinhos, cobras encantadas, o Cariri nas noites momescas, Dodô, um anjo feio, e Macobeba, um misto de homem e bode.

OLINDA RESTAURADA
Por Percival Tirapeli *

A Olinda restaurada é "um jardim transbordante de obras de arte" (Michel Parent). Conserva-se praticamente intacta desde os tempos em que se elevou à categoria de cidade, em 1676. Sede do bispado do Pernambuco, de intensa, relevante e singular atividade cultural e religiosa, o que justifica o status de bem cultural de valor universal a ser tombado, seus feitos artísticos são testemunhos dos procedimentos construtivos de uma época e representam o desenrolar de sua história, atribulada por diferentes dominações culturais e sociais.

O conjunto jesuítico do Colégio e Igreja Nossa Senhora da Graça, projetado pelo arquiteto jesuíta Francisco Dias, é o único remanescente seiscentista (1592); o Convento e Igreja de Nossa Senhora das Neves, depois da Restauração Pernambucana, torna-se protótipo das construções franciscanas em todo o Brasil, distinguindo-se pelos azulejos que lhe cobrem o claustro, pelas pinturas de tetos caixotonados da capela da ordem terceira e pela sacristia das mais requintadas do Brasil, com talha insuperável de jacarandá. Também os carmelitas ali construíram o primeiro convento, que figura nos quadros de Post como a maior massa arquitetônica em ruínas, do que resta hoje apenas a igreja, com um acervo ímpar de painéis pictóricos barrocos.
Todas as primitivas igrejas de Olinda foram reconstruídas e adornadas, internamente, com a mais fina talha e, externamente, com pórticos de pedra, com destaque para a portada e relevos da Igreja de Santa Teresa.

Fonte:http://www.universia.com.br/especiais/patrimonios_historicos/olinda.htm acesso em 12/02/2010

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