sábado, 27 de fevereiro de 2010

Tsunami ameaça ilhas do Havaí, diz agência dos EUA

Reuters para o IG

WASHINGTON (Reuters) - Um tsunami provocado neste sábado depois de um terremoto no Chile poderá causar danos na costa das ilhas do Havaí, informou o Centro de Alerta para Tsunamis do Pacífico. "É preciso tomar medidas urgentes para proteger vidas e propriedades", afirmou o instituto em um comunicado. "Todas as costas correm perigo, sem importar a direção que estão", acrescentou.
O centro emitiu um alerta de tsunami no Pacífico que incluiu o Havaí e tem abrangência desde a América do Sul até as extremidades do oceano ao norte.
O geofísico Victor Sardina afirmou que o centro, que tem sede no Havaí, estava exortando todos os países incluídos no sistema para levar a sério a ameaça.
"Todos estão sob alerta, porque a onda, nós sabemos, está a caminho. Todos estão em risco agora", afirmou em entrevista por telefone.
O alerta foi emitido após um grande terremoto ter atingido o Chile. O tremor matou pelo menos 82 pessoas e causou tsunamis na costa do país.
O centro estimou que o primeiro tsunami, que é uma série de ondas seguidas, atingirá o Havaí às 11:19 (18h19 no horário de Brasília).
Sardina afirmou que as ilhas havaianas podem esperar ondas de dois metros em alguns lugares. Outras estimativas são maiores, mas ele não confirmou se elas são prováveis.
O geofísico afirmou que o centro está especialmente atento à Baía de Hilo. "A forma da Baía favorece que as ondas ganhem altura", disse ele, acrescentando que a Califórnia e o Alaska também podem ser afetados, mas o impacto seria mínimo.
(Reportagem de Doina Chiacu)

Alerta de tsunami é ampliado para o litoral do Pacífico

Por EFE no Ig

Santiago do Chile - O Centro de Avisos do Pacífico dos Estados Unidos ampliou neste sábado o alerta de tsunami a todos os países do litoral do Pacífico, após o terremoto de 8,8 graus na escala Richter registrado no Chile, que matou pelo menos 76 pessoas.

México, Nova Zelândia, Austrália, Rússia, Indonésia, Japão, e Filipinas figuram entre os novos países que estão em alerta de acordo com o Centro de Advertência de Tsunami para o Pacífico, da Administração Nacional de Atmosfera e Oceanos (NOAA, na sigla em inglês).

Em seu último boletim, o NOAA advertiu sobre o risco de tsunami o Chile, Peru e Equador, enquanto situava em grau de vigilância à Colômbia, Panamá, Costa Rica, a Antártida, Nicarágua, Honduras, El Salvador, Guatemala, ilhas Pitcairn e a Polinésia francesa.

"A observação do nível do mar indica que ocorreu um tsunami, o qual poderia causar danos grandes", detalha no site NOAA.

O Centro acrescenta que as primeiras ondas que chegaram na costa "não necessariamente são as maiores" e que "a ameaça pode continuar durante várias horas" e alerta às autoridades dos países afetados para que "tomem as medidas adequadas para responder a essa possibilidade".

No Chile, a Marinha e o escritório nacional de emergência da região de Valparaíso descartaram que exista risco de tsunami e detalharam que só há variação na maré do Pacífico.

Inúmeras réplicas foram registradas depois do primeiro tremor, de um minuto de duração. O terremoto ocorreu às 3h34min no horário local e o epicentro do tremor ocorreu a 63 quilômetros ao sudoeste da cidade de Cauquenes.

Efeitos do terremoto Chileno sentidos na Praia Grande, no litoral paulista

Por Elisabete de Lima para o Ig

Senti fortemente os efeitos do terremoto que aconteceu no Chile, neste madrugada, aqui onde moro, em Praia Grande, no bairro Vila Tupy, São Paulo.
Por volta de 3h45 desta madrugada, acordei para ir ao banheiro. Tudo começou a balançar para lá e para cá e, me segurei na pia, pois, na verdade, não tinha a menor idéia do que poderia ser aquilo. De repente, a porta do meu quarto (que estava aberta) batia da mesma forma. Não foi nada agressivo, violento, foi até que suave.
Pedi a Deus misericórdia e questionava: "Senhor o que está acontecendo?" Pensei até que poderia estar passando mal, sei lá, uma tontura, alguma coisa na cabeça, uma labirintite, porém, aquilo era um fato!
Alguns segundos depois, levantei-me e fui, receosa, até a sacada para ver como estava o comportamento do mar e dos demais prédios da cidade, uma vez que resido no 17º andar, e tenho uma vista panorâmica e linda, do mar e da cidade. Mas, antes que eu terminasse de abrir a porta da sala, aquele "balanço" começou novamente e o meu corpo se projetava suavemente para frente e para trás. Segurei-me na porta e, assim que passou - foi rápido -, fui me segurando até o interforne e liguei para a portaria a fim de tentar descobrir o que estava acontecendo e, se mais alguém havia procurado por eles. Disseram que até aquele momento não, ninguém havia ligado ou procurado por eles. Todavia, ouvi um dos porteiros exclamar: "Meu Deus, será que está acontecendo algum terremoto?".
Como as guaritas são construídas, geralmente, fora do prédio, eles não têm como sentir nada. Agradeci e pedi que se mais alguém dissesse alguma coisa eu gostaria de saber e desliguei. Foi ai que liguei minha TV e me deparei com a notícia: Terremoto de 8.8 na escala Richter atinge Chile!
É claro que com o movimento das placas tectônicas, a fundação dos prédios, penso que de grande parte do Litoral Paulista, sofreu esta sensação e, os moradores dos andares mais altos só não sentiram, pois estavam dormindo, uma vez que era madrugada, chovia e a temperatura estava bem amena.
"Santo Deus!" Pedi a Deus por eles, arrumei algumas coisas em uma mochila e fiquei pronta para qualquer ordem de se evacuar o prédio!
Como ouvi que os Bombeiros registraram ocorrências em São Paulo, é importante relatar que por aqui, também fomos "chacoalhados", ainda que suavemente

Sobe para 78 o número de mortos em tremor de magnitude 8,8 no Chile


Um terremoto de magnitude 8,8 atingiu o centro-sul do Chile às 03h26 no horário local (mesmo horário em Brasília) deixando pelo menos 78 mortos. Este é o maior terremoto no país dos últimos 25 anos.
De acordo com o United States Geological Service (USGS, por sua sigla em Inglês), o terremoto teve seu epicentro a 35km de profundidade, na região de Bio Bio, a cerca de 320km ao sul da capital chilena, Santiago. Além da destruição de centenas de casas, o tremor também provocou diversos acidentes nas estradas.

Horas depois do primeiro tremor, a região foi atingida por um segundo tremor, de magnitude 6,2. O Centro de Avisos do Pacífico dos Estados Unidos ampliou o alerta de tsunami a todos os países do litoral do Pacífico.
O aeroporto internacional da capital chilena foi fechado e todos os voos cancelados, disseram funcionários de algumas companhias aéreas no Peru e no Brasil. Os voos, quase todos de longa distância e na maioria procedentes de cidades dos Estados Unidos e Europa, são desviados para aeroportos na Argentina, principalmente para a cidade de Mendoza.
De acordo com a correspondente da BBC Valeria Perasso, da região de Araucanía, foram relatados danos a hospitais e às redes de infraestrutura básica, como água, gás e electricidade.
Moradores das zonas atingidas pelo terremoto descreveram o tremor como "interminável". Segundo o USGS, os efeitos foram percebidos no mar de Valparaíso, na costa a oeste de Santiago. Na capital chilena, relatos dão conta de que os prédios tremeram entre 10 e 30 segundos.
Um professor da universidade de Santiago, Cristian Bonacic, disse que o terremoto foi forte, mas que a cidade parecia ter resistido bem. Comunicações via internet estavam funcionando, mas, os telefones celulares, não.
Um jornalista que falou à TV chilena da cidade de Temuco, 600 km ao sul da capital, afirmou que muitas pessoas haviam deixado suas residências com medo de novos desabamentos.
Depois do terremoto, tremores de intensidade variável foram registrados em todo o país, levando as autoridades chilenas a pedir aos moradores que permaneçam em casa.
Graciela Martín, de Mendoza, no lado argentino da fronteira andina, afirmou que "deste lado da fronteira, sentimos um tremor de cerca de um minuto."
Há inclusive depoimentos de pessoas que dizem ter sentido os efeitos no Brasil. A Defesa Civil de São Paulo confirmou os relatos, mas disse que não há danos ou vítimas.
Ao convocar a reunião de emergência, a presidente Michelle Bachelet, que havia planejado com antecedência uma viagem para a região de Bio Bio neste sábado, afirmou que equipamentos seriam enviados de Santiago para as províncias do sul para restabelecer as comunicações interrompidas.
"Foi de fato um grande terremoto, mas as instituições estão funcionando. Em breve poderemos ter informação visual sobre o que aconteceu", disse a presidente chilena.
O maior terremoto a atingir o Chile no século 20 foi um tremor de magnitude 9,5, que atingiu a cidade de Valdívia em 1960, deixando 1.655 mortos.
Para o sismólogo britânico Roger Musson, o terremoto deste sábado foi "gigantesco". "Qualquer movimento acima de oito graus é um grande terremoto", acrescentou.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/02/27/pelo+menos+64+morrem+em+tremor+de+magnitude+88+no+chile+9411223.html

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Patrimônios da Humanidade no Brasil parte V

Fachada da Igreja Bom Jesus do Matosinhos 1757

Santuário de Bom Jesus de Matosinhos

O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, monumento composto pela Igreja, o Adro, as esculturas dos profetas e o conjunto de capelas dos Passos, é um dos mais completos grupos de profetas do mundo, representando, sem dúvida uma das obras-primas do barroco mundial e do gênio criativo de Francisco Antônio Lisboa, que deixou no alto do Monte Maranhão uma obra impressionante.
O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos foi incluído em 1985 na Lista do Patrimônio Mundial como Bem Cultural dentro dos critérios:

representar uma obra-prima do gênio criativo humano
ser um exemplo excepcional de um tipo de edifício ou de conjunto arquitetônico ou tecnológico, ou de paisagem que ilustre uma ou várias etapas significativas da história da humanidade

Localização: zona metalúrgica de Minas Gerais, região montanhosa do Estado, município de Congonhas do Campo
Latitude: 20º30’05” sul
Longitude: 43º51’39” oeste
Área total: 3.064 Km2
População: 41.256 habitantes (IBGE, 2000)
Índice pluviométrico: 39,2 milímetros
Temperatura média: entre 21º e 17º Celsius
Distância: 139 quilômetros de Ouro Preto e 81 quilômetros de Belo Horizonte

Passo da Ultima Ceia
SACRO MONTE DA ARTE
Por Percival Tirapeli *

Das Minas saiu uma Bíblia de pedra-sabão, banhada em ouro, diriam poetas ao subir os mais altos degraus da arte brasileira. Nossa alma lá está peregrina e cheia de arte. Os Passos da Paixão foram frutos de mãos benditas e atrofiadas entre todos os escultores. Mulato, Antônio Francisco Lisboa ousou criar em lenho o que Deus em barro modelou: homens pecadores.
Agora na hora da morte do Filho, quem esteve ao seu lado foi um Aleijadinho, que esculpiu Jesus. E a arte se fez nesse espaço de fé e crença que consagra uma plêiade de artistas mineiros que deixaram suas obras nesse conjunto arquitetônico de representação do Sacro Monte.
O templo foi construído como ação de graças pelo cura de enfermidade de Feliciano Mendes. Natural de Guimarães, do arcebispado de Braga, norte de Portugal, implantou no Monte Maranhão a devoção ao Cristo Crucificado, também venerado em Matozinhos, de Portugal.
A devoção a Bom Jesus insere-se no ciclo da Paixão de Cristo, precisamente no culto ao Cristo Crucificado ou ao Senhor Morto. Foram os padres franciscanos os responsáveis por sua disseminação, erigindo, desde o século XIII, calvários que comporiam a ambiência mística, propícia à veneração da imagem de Jesus Crucificado.

Passo cruz as costas
LENHO ARTÍSTICO - OS PASSOS

Raros são os exemplos de obras de arte feitas por um só artista, conservadas como patrimônio da humanidade. Aleijadinho, com o conjunto de Congonhas do Campo, e Lúcio Costa, que ainda vivo teve seu Plano Piloto de Brasília de 1957 preservado junto com os palácios de Oscar Niemeyer, em 1986, são exceções.
Antônio Francisco Lisboa trabalhou em Congonhas de 1796 a 1805. Entre 1796 e 1799, dedicou-se às 66 imagens de cedro dos Passos da Paixão do Senhor e, a partir de 1800, auxiliado por sua equipe, esculpiu, em pedra-sabão, os doze profetas. Também desenhou o adro e a portada da igreja e esculpiu o medalhão da escadaria.
Depois da capela da Santa Ceia, a do Horto é a segunda, mostrando um conjunto com cinco personagens extremamente harmonioso e todas as imagens de perfeita execução e acabamento, não se verificando discrepâncias que possam denotar a intervenção do “atelier”. A aparente rigidez do corpo do anjo, com membros inferiores que se suavizam ao unir-se ao torso frontal, é traço usual do estilo de Aleijadinho, que, mestre em relevos feitos em paredes, também faz temas que exigem o pleno desenvolvimento das formas no espaço.
O conjunto de imagens secundárias do Passo da Prisão é o mais homogêneo. As oito figuras são bem definidas e, bastante próximas do espírito do mestre, indicam estreita colaboração entre este e os “oficiais” que o secundaram, pressupondo mesmo interferência recíproca de trabalho em todas as peças. O tratamento “caricatural” dado às fisionomias dos soldados insere-se na antiga tradição da arte cristã ocidental, das representações medievais do teatro da Paixão.
A quarta capela tem duas cenas: a Flagelação e a Coroação de Espinhos. Na primeira, o Cristo é representado de pé, mãos atadas por uma corda que as prende ao anel da coluna baixa colocada em frente, denominada Coluna de Jerusalém, cuja presença se justifica tanto por razões de equilíbrio da composição quanto pela necessidade lógica de um suporte ao qual prender o condenado para o suplício.
No Passo Cruz às Costas, denominado Encontro com a Mãe Santíssima, dentre as quinze imagens apenas o Cristo e a mulher que enxuga as lágrimas são atribuídos a Aleijadinho. A capela da Crucificação de Cristo, com onze figuras ao todo, apresenta Cristo pregado na Cruz entre os dois ladrões e, junto a ele, sua mãe, Maria, a mulher de Cleófas e Maria Madalena (Tavares, 1972).
Todo o drama da Paixão pode ser resumido nas expressões e transformações do rosto de Cristo que o artista articula plasticamente desde a serenidade do Cristo na Última Ceia até a transformação, quando, crucificado, jaz desfigurado com o rosto moreno, síntese da obra escultórica de Aleijadinho. “É assim que vemos, nos últimos anos do século ‘galante’, no momento em que a Revolução Francesa toma a Europa de assalto, um mestiço, paralítico das mãos, em um país perdido do outro lado do Atlântico, que produz uma obra sublime, a derradeira aparição de Deus evocada pela mão do homem: Aleijadinho é o último marco na gloriosa corte dos grandes estatuários cristãos” (Bazin, 1971, p. 200).
A RECONQUISTA DE CONGONHAS

A restauração dos Passos devolveu-nos uma das mais importantes parcelas do barroco mineiro, ao mesmo tempo em que contribuiu para atestar a perícia incomum e a firmeza de conceitos do artista colonial, reafirmando a superioridade sem contraste da criação de Aleijadinho.
Reorganizadas as peças em conjuntos compostos, tornou-se irrecusável a evidência de que só uma plêiade de artistas de primeira grandeza, altamente inspirados, adestrados e, sobretudo, conscientes da função estética que desempenhavam, conseguiria realizar tal obra comum.
Até os fatores étnicos, que em seu tempo o crítico paulista Mário de Andrade definira na exata função de um estado de espírito de marginalidade angustiada, para evitar o aviltamento ou a glorificação da cor da pele, em si mesma indiferente, desempenharam um papel importante na romantização do barroco mineiro

Profeta Joel
A BÍBLIA DE PEDRA-SABÃO — OS PROFETAS
Por Percival Tirapeli *
Um espaço de cerca de dez anos medeia a conclusão da parte arquitetônica do adro e a intervenção escultórica de Aleijadinho. É graças ao drama litúrgico que os profetas se introduziram na iconografia da Idade Média com os dramas da Ressurreição e Encarnação, quando os profetas eram chamados a comparecer e testemunhar numa espécie de processo contra os judeus. Nesse drama, que derivava de um sermão de Santo Agostinho, cada profeta dizia uma frase, tirada de um de seus escritos, para provar a verdade da Encarnação. Daí a tradição.
Nos três planos do Adro, os profetas ordenam seus gestos, simetricamente, em relação ao eixo da composição - vários deles são semelhantes, como atores de um mesmo grupo, mas encarnam alguns protagonistas que trazem consigo todo o sentido do drama. Abdias, de braço estendido, ergue para o céu o dedo de justiceiro, do qual depende, para o mundo, o perdão ou a maldição; por esse gesto, como pelo do chefe do balé, proposto por Bazin, todos os outros coordenam as respectivas atitudes; Ezequiel recolhe, em seu braço dobrado, toda a cólera de Deus a fim de espalhá-la no universo em sementes de maldição. Prolongando o gesto de Ezequiel, Habacuc ergue o braço para amaldiçoar e parece levado pela violência do gesto, como se ele mesmo fosse empurrado nessa queda que prediz a seu povo.
Embriagado pela palavra de Deus, Naum titubeia, espantado; seu corpo decai, seu rosto, que lembra o do Simeão do escultor Giovanni Pisano, parece nascer da barba, que se enraíza no busto. Comparável ao Moisés do escultor medieval Sluter, Isaías refugia-se numa sabedoria que não é humana; seu gênio taciturno é mais terrível que o dos outros. Toda força parece concentrada em seu pensamento; a testa enrugada abriga raios de luz da sabedoria.
Porém, de todas as figuras, a mais genial é Jonas: ele foi apanhado no momento em que era expelido do ventre do monstro marinho. O rosto, com narinas apertadas, olhos cavos e boca entreaberta, é de um morto que ressuscita. Esse rosto se aparenta estreitamente com o do Cristo do Passo Cruz às Costas: um vindo da vida e o outro das sombras, os dois seres se encontram no mesmo limiar. O sincronismo é perfeito: a ressurreição de Jonas prefigura a de Cristo e seu nascimento para a luz três dias depois das trevas, a redenção do pecador salvo pelo sangue divino - a vida representada pela reconquista de um cadáver (Bazin, 1971, pp. 283-284).

ALEIJADINHO - ESCULTOR GENIAL
Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1730-1814), o maior estatuário da arte colonial das Américas, nasceu e morreu em Ouro Preto. O conjunto de Congonhas oferece o melhor de sua produção escultórica. Com efeito, a amplitude da obra realizada, o tempo recorde de execução (1796-1805) e a inserção já no final da vida do artista, gravemente mutilado pela enfermidade, exigiram, mais do que em qualquer outra situação anterior, a cooperação intensa de auxiliares, cuja intervenção pode ser facilmente detectada por um exame mais atento, tanto no que se refere às imagens dos Passos quanto aos Profetas do adro (Oliveira, 1984).
Apesar da doença, que teve início aos 40 anos, Antônio Francisco Lisboa jamais expressou dor ou revolta em sua arte. Os corpos esculpidos sempre estavam impregnados do espírito, da beleza e da manifestação de Deus. Mário de Andrade diz que se pode perceber uma obra de juventude mais alegre e leve como as obras de Ouro Preto e um homem maduro nas obras de Congonhas do Campo, quando fez as esculturas em tamanho natural dos Passos da Paixão.
A expressão de agonia é contida e serena, estando o corpo submisso a essa condição de mártir da vontade do Pai. Era um momento propício para extravasar um drama maior e até pessoal. A arte falou mais alto, como em todo tempo de sua vida, e preferiu expressar a dor devido à doença por quase dois anos em leito de morte sobre cepos de madeira que outrora serviam para retirar deles sopros de almas divinas expressas em esculturas de beleza acima da matéria.
fonte:http://www.universia.com.br/especiais/patrimonios_historicos/congonhas.htm acesso em 15/02/2010

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Patrimônios da Humanidade no Brasil parte IV

Boqueirão da Pedra Furada

Parque Nacional da Serra da Capivara

No sudeste do estado do Piauí, o Parque Nacional da Serra da Capivara foi criado em 1979 para preservar os vestígios mais antigos de ocupação humana da América do Sul. A abundância dos mais de 400 sítios arqueológicos com instruções rupestres que representam os animais e ações cotidianas da vida humana, fez com que a teoria da migração humana pelo estreito de Behringer fosse revista.
Além disso, a paisagem ao redor dos paredões de rochas onde as inscrições se encontram é extremamente rica em fauna e flora. Por ser um impressionante registro da história da humanidade, entrou para a Lista do Patrimônio Mundial Cultural, em 1991, por respeitar o seguinte critério:
aporta um testemunho único e excepcional de uma civilização que desapareceu

Localização: sudeste do Estado do Piauí, nos municípios de São Raimundo Nonato, Brejo do Piauí, Coronel José Dias e João Costa em sua maior parte
Área: 129.140 hectares
Perímetro: 214 quilômetros
Latitude: entre 8º26’51” e 8º54’23” sul
Longitude: entre 42º19’47” e 42º45’51” oeste
Clima: quente semi-árido, com seis a oito meses secos por ano
Temperatura média: entre 24º e 26º Celsius
Temperatura máxima absoluta: entre 40º e 42º Celsius
Temperatura mínima: entre 8º e 12º graus Celsius
Distância: 559 quilômetros de Teresina


Inscrições da Tradição Nordeste

AMÉRICA ANCESTRAL
Por Percival Tirapeli *

A descoberta dos sítios arqueológicos no estado do Piauí, hoje considerado um dos mais impressionantes do mundo com aproximadamente trinta mil pinturas rupestres em trezentos e sessenta sítios já pesquisados, se deu em 1963, quando o então prefeito de São Raimundo Nonato, em visita ao Museu Paulista da Universidade de São Paulo, procurou a direção do órgão e mostrou fotos de pinturas em paredes rochosas que a população de sua cidade acreditava ter sido feitas pelos índios. A pesquisadora Niède Guidon, que ali trabalhava, logo percebeu a originalidade das pinturas e compreendeu tratar-se de obras rupestres de um gênero até então desconhecido no Brasil. Porém, foi somente em 1970, após temporada na França, que Guidon liderou a primeira missão franco-brasileira ao local (Guidon, 1991, p. 7).
Em 1991, enviou-se a Unesco um dossiê apontando sua “importância fundamental no plano arqueológico, antropológico e artístico”. O critério da UNESCO para a inscrição na lista de patrimônios mundiais, que estabelece que um patrimônio cultural deve conter “sítios arqueológicos conjugando as obras do homem e da natureza cujo valor é universal e excepcional do ponto de vista histórico e antropológico, único e extremamente raro, e que remontam à antiguidade”, ajusta-se como uma luva ao caso Serra da Capivara.
A densidade de sítios na área do parque com pinturas e gravuras rupestres é absolutamente surpreendente. Entre eles, o Boqueirão da Pedra Furada com mil pinturas sobre a rocha e que, depois de ter sido escavado durante dez anos, forneceu evidências da mais antiga presença humana nas Américas até então, pois foi freqüentado por grupos humanos durante 48.000 anos de maneira ininterrupta. Comprovações de datações similares continuam sendo obtidas no Parque Nacional, o que leva à confirmação da presença do homem americano na região desde tempos remotos — e muda os fundamentos das teorias do povoamento das Américas. No plano antropológico, as pinturas da Tradição Nordeste, um dos tipos de grafismo observados na área, são de grande importância para a reconstituição da vida social dos grupos autores desses registros: o caráter narrativo das composições é de tal importância que permitiu identificar um verdadeiro sistema de comunicação social, que experimenta no tempo certas mudanças que também foram detectadas (Pessis, 1987). Trata-se de um corpus de pinturas que cobre diversos aspectos da vida cotidiana e cerimonial.
No plano artístico, a diversidade dos estilos é abrangente, existindo composições de valor excepcional, desde o estilo inicial da Tradição Nordeste até o estilo final. Ainda, segundo o dossiê UNESCO, são notáveis, em todo o conjunto, “um equilíbrio muito trabalhado, o aproveitamento dos volumes fornecidos pela parede rochosa, o domínio da policromia, o delineamento da figura com contorno aberto que gera uma impressão de movimento e o domínio da terceira dimensão”.
No Parque Nacional Serra da Capivara, se encontra o sítio arqueológico mais antigo das Américas, a Toca do Boqueirão da Pedra Furada, o maior museu ao ar livre da Pré-História, que possui mais de 1.000 grafismos desenhados em suas paredes, mostrando diferentes figuras humanas, animais e cenas diversas. Há quase 48.000 anos, o homem pré-histórico fazia fogueiras e lascava pedras nesse sítio — descoberta que revolucionou a comunidade científica, pois põe por terra a antiga teoria de o homem ter vindo para as Américas pelo Estreito de Behring. “As explicações teóricas que precederam a descoberta de fatos hoje disponíveis foram formuladas em gabinete sem que existisse um embasamento factual suficiente” (Pessis e Guidon, 1992, pp. 19-33). Outros sítios arqueológicos apresentam datações pleistocênicas, como o Sítio do Meio, em escavação, e a Toca do Caldeirão dos Rodrigues.

A BIODIVERSIDADE DO PARQUE
Por Percival Tirapeli *

A fauna local é rica devido ao encontro de refúgios geológicos como da Mata Atlântica, Caatinga e Cerrado que abrigam espécies diversificada, destacando-se gato-do-mato (Leopardus triginus), onça-pintada (Felis onca), jaguatirica (Leopardus pardalis), tatu (Dasypus sp), paca (Agouti paca) e cutia (Dasyprocta sp), além de mocó (Keredon rupestris), um pequeno roedor que vive nas rochas. Da avifauna, seriema (Cariama cristata), também comum no cerrado, gavião-carrapateiro (Milgavo chimachima) e acauã (Herpetotheres cachinnans). Entre os répteis, sobressaem iguana (Iguana iguana), jararaca (Bothrops sp), cascavel (Crotalus durissus) e duas espécies de cobra-cipó (Phylodryas nattereri e Oxybelis aeneus). Infelizmente, afetando um pouco o delicado equilíbrio ecológico da área, foram reduzidos pela caça predatória o tatu-canastra (Tolypeutes tricinctus), o tamanduá-bandeira (Myrmecoph ridactyla) e inúmeras outras espécies, fato que levou os animais maiores, mais tarde alimentados pelos funcionários do parque, a caçar caprinos e bovinos da população circundante, além de haver aumento anormal do número de cupins e formigas, alimentação preferida do tamanduá.

Painel com figuras humanas e animais do Complexo Estilístico Serra Talhada, Toca do Boqueirão da Pedra Furada

PATRIMÔNIO EM RISCO
Por Percival Tirapeli *

Os sítios e as pinturas rupestres correm perigo mais por causas naturais que pela ação do homem. Como a serra é formada por rochas sedimentares, arenito, siltito e conglomerado, de origem marítima, e há uma aridez acentuada, a água de constituição das rochas migra para a superfície e se evapora. No caminho ela traz sais minerais contidos no interior e, ao evaporar, deixa-os na superfície, formando finas camadas de cor esbranquiçada. As camadas vão, aos poucos, cobrindo as pinturas; bactérias se instalam na superfície e se alimentam desses sais, depositando sobre a superfície pictórica os sais resultantes de seu metabolismo, auxiliando o processo degenerativo e causando descamação da parede pintada. A poeira, transportada pelo vento, é depositada sobre a parede e nela adere, formando uma fina camada que recobre igualmente as pinturas. A erosão diferencial que se produz nas paredes rochosas, no contacto entre duas camadas de rochas diferentes, cria os abrigos, pois a água das torrentes pluviais vai destruindo a parte mais baixa do paredão, deixando a parte alta como uma saliência que protege as pinturas (e os vestígios dos acampamentos dos homens que as fizeram) da chuva. O processo erosivo é contínuo, e, quando a parte saliente se torna muito grande, com um grande vazio no contacto com o chão, produzem-se desmoronamentos que podem destruir as pinturas. A caça de pássaros fez diminuir o número de predadores de insetos, e certos dípteros, conhecidos na região como maria-pobre, que tiveram as populações muito aumentadas, constroem ninhos de argila misturada com saliva, que, quando secos, encobrem as pinturas.
Pela ação do homem, deve-se à fumaça proveniente de queimadas e fogueiras nos abrigos, algumas figuras já terem se apagado. O mais grave, porém, é a extração do calcário, fazendo desaparecer para sempre sítios inteiros e transformando nossa pré-história em pó.

Detalhe de painel pictórico com figuras animais da Tradição Nordeste

Instituições em Ação
Projeto: "O homem no sudeste do Piauí: da pré-história aos dias atuais

O homem no sudeste do Piauí: da pré-história aos dias atuais – Universidade Federal de Pernambuco e Fundação Museu do Homem Americano
A historiadora e arqueóloga Niede Guidon foi a responsável pela descoberta dos sítios com inscrições rupestres, registros da pré-história do homem da América do Sul. Na década de 70, quando apenas os moradores da região admiravam os registros, a pesquisadora chegou ao local e iniciou os estudos, hoje conhecidos mundialmente.
Foi o trabalho dela quem derrubou as teorias sobre o povoamento das Américas através do estreito de Behring.
Em 2002 e 2003 foram descobertos mais de 100 sítios novos, localizados em locais de difícil acesso. "Temos pinturas datadas pelo professor Shigueo Watanabe, da USP, que estão entre as mais antigas do mundo. Além da antiguidade, temos a alta complexidade das composições que constituem um sistema de comunicação sofisticado. Uma grande capacidade simbólica que revela uma cultura profunda. Uma grande capacidade técnica, tanto de desenho como de pintura, como das pinturas de perspectiva", conta a pesquisadora.
A conservação das áreas tem sido boa até agora, mas Niede diz que se os recursos não chegarem, corre-se o risco de ser necessário demitir os funcionários que trabalham nos locais de visitação.
coordenação: Niede Guidon, pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco e da Fundação Museu do Homem Americano
Informações: cedocs.fumdham@terra.com.br



Formação rochosa, comum na região


Fonte:http://www.universia.com.br/especiais/patrimonios_historicos/capivara.htm acesso em 15/02/2010

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Patrimônios da Humanidade no Brasil parte III

Vista do pelourinho

Centro Histórico de Salvador

Salvador é um dos principais pontos de convergência de culturas européias, africanas e americanas dos séculos XVI a XVII. A sua fundação e o seu papel histórico como capital do Brasil associam-se naturalmente ao Ciclo dos Descobrimentos.
O Centro Histórico de Salvador, abrangendo 80 ha, foi inscrito na Lista do Patrimônio Cultural da Humanidade em 1985 com base nos critérios:
ser um exemplo excepcional de um tipo de edifício ou de conjunto arquitetônico ou tecnológico, ou de paisagem que ilustre uma ou várias etapas significativas da história da humanidade
estar associado diretamente ou tangivelmente a acontecimentos ou tradições vivas, como idéias ou crenças, ou com obras artísticas ou literárias de significado universal excepcional (O Comitê considera que este critério não deveria justificar a inscrição na Lista, salvo em condições excepcionais e na aplicação conjunta com outros critérios culturais e naturais)
Localização: extremo leste do Estado da Bahia, na Zona do Recôncavo, no terço norte da costa. O polígono de tombamento contém cerca de 3.000 imóveis.
Latitude: 12º58’16” sul
Longitude: 38º30’39” oeste
Área: 760 Km2
População: de 2.443.107 pessoas (IBGE, 2000)
Altitude: até 119 metros
Clima: tropical, com temperaturas altas durante quase todo o ano. Máxima de 32º Celsius e mínima de 19º Celsius
Índice pluviométrico médio: 1.500 milímetros, com período de chuvas que vai de julho a agosto

Paineis azuleijados do claustro do convento de S. Francisco 1700
SALVADOR, PRIMEIRA CAPITAL BRASILEIRA
Por Percival Tirapeli *

A Bahia de Todos os Santos era considerada por el-rei Dom João III, de acordo com as informações fornecidas por Américo Vespúcio, como: "O lugar mais conveniente da costa do Brasil para se fazer a dita povoação e assento, assim pela disposição do porto e rios que nela entram, como pela bondade, abastança e saúde da terra e por outros respeitos.... (do regimento de Tomé de Souza, primeiro Governador-Geral do Brasil, 1549/1551)"
A implantação da cidade "na esquina do oceano" foi fruto de decisão política, tal como aconteceria com Brasília quase cinco séculos depois. É a terceira cidade brasileira a ser fundada, precedida por São Vicente, em São Paulo, em 1532, e Olinda, em Pernambuco, em 1537.

A CAPITAL DO IMPÉRIO PORTUGUÊS NA AMÉRICA
Salvador foi a mais importante cidade do mundo colonial português desde a fundação até a transferência de seu posto político e econômico para o Rio de Janeiro, em 1763. Mas esse traslado não chegou a interromper a construção do maior acervo barroco representante do ciclo econômico da cana-de-açúcar; ao contrário, o enfraquecimento das atividades econômicas pelo qual passou a cidade e seu crescimento em direção à orla marítima contribuíram para a preservação e o tombamento do centro histórico e de alguns monumentos, em 1938, pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, SPHAN, atual IPHAN.
Em 1985, finalmente, a inscrição na lista da UNESCO confirma sua relevância como bem cultural de valor internacional na vida social e política não só do Brasil como do mundo de origem portuguesa; e por realizações artísticas e estéticas, únicas do barroco luso-brasileiro, como as igrejas da Sé, São Francisco e Conceição da Praia, típicas de uma estrutura social bem representada também na feitura da fachada da Igreja da Ordem Terceira dos Franciscanos. Sociologicamente, trata-se de exemplo ímpar de relacionamento humano entre colonos, índios habitantes da terra e negros escravos, onde nasceu uma civilização com hábitos e tradições religiosas significativas para a transformação social do mundo colonial lusitano em brasilidade.
URBANISMO QUINHENTISTA
O centro histórico de Salvador preserva a trama urbana original do século XVI, com os acréscimos que foram sendo organizados durante os séculos seguintes. É a mesma configuração, com pouquíssimas alterações, da cidade que aparece na cartografia do final do seiscentos e início do setecentos.
Salvador foi o primeiro núcleo urbano brasileiro concebido com trama regular que, no entanto, desde o início, se adaptou às irregularidades da topografia do topo da crista onde se situou. Os espaços urbanos ainda conservam íntegros os caracteres originais — Praça Municipal, Terreiro de Jesus e Adro de São Francisco, Largo do Pelourinho, Largo do Boqueirão e Largo de Santo Antonio —, e é neles e na trama das ruas, ladeiras e becos que os une que se localizam os monumentos religiosos e civis.
Na Bahia de Todos os Santos, Salvador sempre possuiu um magnífico porto — o Porto de Brasil dos documentos quinhentistas e seiscentistas, ou Porto da Bahia, amplo e protegido. Graças a essas qualidades e à localização mais próxima da metrópole e da costa africana, a cidade foi passagem quase obrigatória para todas as frotas que se dirigiam ao Brasil e às feitorias da África, Índia e China.
Foi porto de abastecimento, de escala para conserto de avarias, mesmo em épocas em que, por motivos políticos, tal paragem era proibida. Representou, para o ciclo de colonização e comércio do mundo português, um dos portos mais importantes sob o ponto de vista comercial e de localização estratégica, razão pela qual foi diferentes vezes atacada, pilhada e até ocupada, se bem que por curto período, por piratas ou companhias de outros países (Dossiê IPHAN/UNESCO, Arquivo Noronha Santos).
Fachada Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia
ACERVO BARROCO SEISCENTISTA E SETECENTISTA
Por Percival Tirapeli *

Salvador é parte do que há de melhor na arte colonial das cidades litorâneas brasileiras. Sua vista melhor começa pelo mar, onde se avista um rosário de fortes e fortalezas que defendiam a capital, como Fortaleza de São Marcelo. É uma construção desenvolvida segundo planta circular, constituída por um torreão central envolvido por um anel de igual altura (15 metros) formado pelo terrapleno perimetral e quartéis.
A Casa da Alfândega, conhecida como Mercado Modelo, está no mesmo local do primeiro edifício erguido por Tomé de Souza. O acervo coeso representativo do barroco luso-brasileiro pode ser visto já na Cidade Baixa, na Igreja Nossa Senhora da Conceição da Praia, que tem no teto a melhor pintura ilusionista feita por José Joaquim da Rocha. Na antiga Praça do Palácio, abre-se “com grande vista para o mar”, como descreve o historiador colonial Gabriel Soares (Soares, 1971). Pode-se, portanto, começar a vivenciar o primeiro núcleo urbano que, no Brasil, foi concebido com trama retangular, a qual, no entanto, se adaptou desde o início às irregularidades da topografia onde foi situada: na crista de uma elevação que se estende paralela ao mar, abrigando a Bahia de Todos os Santos.
A Praça da Antiga Sé, espaço ampliado da antiga Praça do Palácio, ainda se abria para o mar, hoje abrangendo o espaço arqueológico das fundações da antiga Sé Primacial até o antigo Paço Arquiepiscopal. Essa volumosa construção de três pavimentos datada de 1707 está desambientada da antiga Sé, destruída em 1933, com a qual se ligava por um passadiço bem ao gosto português. Dali se chega ao Terreiro de Jesus, área onde se concentram obras-primas da arte brasileira.
O exterior da Igreja de Jesus, atual Sé de Salvador, é revestido de pedra de lioz e tem na monumental fachada elementos de diversas igrejas portuguesas, como a compartimentação rígida da Sé de Coimbra, a dupla ordem de pilastras colossais de São Roque de Lisboa e, de ambas, os arremates em frontões retilíneos e curvos (Leal, 1998, p. 109). Seu interior é o mais magnífico exemplo da arte maneirista jesuítica com altar-mor severo ladeado de pinturas que datam de 1670 e teto abobadado com pinturas de brutescos. A sacristia é considerada a primeira pinacoteca da arte brasileira, com pinturas dos primeiros jesuítas vindos ao Brasil como José de Anchieta e Manoel da Nóbrega. Na parte superior, na biblioteca, encontra-se o Museu da Sé, cuja melhor peça é a pintura ilusionista de Antonio Simões Ribeiro, o primeiro que trouxe de Portugal esse gênero pictórico.
O conjunto franciscano, além do convento e igreja, ao lado, tem a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, onde estão os painéis figurados de grande interesse para a história de Portugal. Na sala do consistório, encontram-se dez painéis figurados, de altura de doze azulejos e larguras variadas, com representação da área urbana de Lisboa do século XVIII. São construções de grande valor histórico, já que todas as outras da época foram destruídas pelo terremoto que tomou Lisboa em 1755. Além desses painéis, existe um claustro recoberto por azulejos de painel figurado, narrando as núpcias do príncipe Dom José com Dona Maria Ana da Áustria.

Sacristia da Igreja da Sé Interior do Convento S. Francisco

Fonte: http://www.universia.com.br/especiais/patrimonios_historicos/salvador.htm
acesso em 15/02/2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Patrimônios da Humanidade no Brasil parte II

Vista da Sé de Olinda


Centro Histórico de Olinda

Fundada em 1537 para ser sede de uma Capitania Hereditária, Olinda teve seu desenvolvimento estreitamente ligado ao ciclo da cana-de-açúcar.
No século XVII, foi dominda e destruída pelos holandeses em 1631 e reconstruída no mesmo século.
Possui um acervo arquitetônico representativo de várias épocas, integrado de maneira exemplar ao sítio físico, formando um conjunto particular, onde a presença da vegetação e do mar emprestam uma atmosfera ímpar à cidade.
Merecem destaque especial os seus edifícios religiosos do século XVI, igrejas e conventos, contruídos pelas missões religiosas, dos quais subsistem hoje raros exemplares.
Olinda foi escrita na Lista do Patrimônio Mundial Cultural em 17 de dezembro de 1982, sob os critérios:
ser a manifestação de um intercâmbio considerável de valores humanos durante um determinado período ou em uma área cultural específica, no desenvolvimento da arquitetura, das artes monumentais, de planejamento urbano ou desenho da paisagem
ser um exemplo excepcional de um tipo de edifício ou de conjunto arquitetônico ou tecnológico, ou de paisagem que ilustre uma ou várias etapas significativas da história da humanidade
Localização: litoral pernambucano. O polígono de tombamento de Olinda contém zonas de preservação urbanística e ambiental, repartidas em quatro áreas distintas: urbana de preservação rigorosa, urbana de preservação ambiental, verde de preservação rigorosa e de proteção e ambiência do conjunto
Latitude: 8º 1’ 48” sul
Longitude: 34º 51’ 42” oeste
Área: 40,83 Km2, sendo que o polígono de preservação abrange 10,4 Km2 e o de tombamento 1,2 Km2
População: 367.902 habitantes no município (IBGE, 2000)
Clima: tropical quente e úmido
Índice pluviométrico: entre 1.000 e 2.000 milímetros por ano
Temperatura média: 27º Celsius
Altitude: até 60 metros
Distância: 7 Km do Recife, capital de Pernambuco

Fachada do Mosteiro de São Bento

A PAISAGEM IDÍLICA
Por Percival Tirapeli *

Olhar a cidade de Olinda fundada em 1537, pelo primeiro donatário português, Duarte Coelho, permite desfrutar infinitas leituras do conjunto urbanístico e dos habitantes: suas múltiplas verdades vivas. Precedidas por antigas trilhas indígenas, as ladeiras íngremes portuguesas, que formam as ruas olindenses, encontram-se hoje perdidas entre becos, interrompidas por fundos de quintais que ainda guardam resquícios da vegetação — cajueiros, jaqueiras, jambeiros e mangabeiras — que serviu de paisagem cênica para as primeiras apresentações teatrais jesuíticas e inspiração para o primeiro poema brasileiro, Prosopopéia, de Bento Teixeira.
Olinda mostra-se atualmente como paisagem transformada: o estado de harmonia inicial, no qual o modus vivendi do silvícola se integrava à natureza, habitada por um sem-número de animais silvestres, deu lugar a uma extensão natural invadida e violada pela história do homem. Nos morros, entrecruzaram-se desejos lusos, neerlandeses e pátrios: corpos e almas contorceram-se em credos antagônicos, conformando um entreposto racial de convivência e delimitação territorial da fé e do capital.
Olhar Olinda é estar suspenso entre a terra e o mar: lugar entremeado de espécies aclimatadas, como palmeiras-imperiais, tamarindeiros e mangueiras, frutos que perfumam nossas memórias primordiais, brisas que nos remetem a um espírito sem fronteiras e céu que se inclina verdejante sobre a extensa e incontrolável massa do oceano.
Batizada inicialmente pelo colonizador europeu de Nova Lusitana, essa cidade perdida no imaginário americano foi cenário de lutas e invasões. Em 1537, a reconstrução da paisagem dá-se pela transposição do modelo de cidade medieval cristã para a terra brasileira recém descoberta: a defesa do cristianismo faz brotar em terras tropicais fortalezas, conventos, igrejas e santas-casas de misericórdia. A vila mudou de nome para Olinda e prosperou.

A PAISAGEM DO INVASOR

O desenvolvimento do cultivo açucareiro no interior da capitania do Pernambuco, que alcançou 99 engenhos, pouco tirou o brilho da Olinda litorânea. No entanto, o prestigio político e o cais acostável fizeram-na presa fácil das 67 naus holandesas com 7.000 homens, comandadas pelo almirante Hendrick Cornelizoon Loncq. Olinda, por sua vez, possuía na ocasião 2.000 almas, que resistiram aos invasores liderados por Matias de Albuquerque, posteriormente refugiado no arraial de Bom Jesus, de onde organizou a resistência aos conquistadores estrangeiros. Era 15 de fevereiro de 1630. O destino de Olinda estava nas mãos dos batavos, que retrataram, em pinturas, as ruínas do incêndio de 1631. O luxo das igrejas e casas da Lisboa Pequena, assim aclamada Olinda, que impressionaram o protestante Baer, serviram de fonte para um dos mais antigos perfis urbanos das Américas.
A ocupação holandesa no Brasil iniciou-se em Salvador (1624-1625), seguindo para Pernambuco (1630-1654) e daí por todo o Nordeste até São Luís do Maranhão (1641-1644). Olinda viveu um calendário de queda, tolerância e restauração. A resistência aos holandeses continuou até 1637, sendo sucedida por um período de convívio tolerante entre colonizadores e invasores, que se encantaram com o paraíso tropical, a exemplo de Maurício de Nassau, o iluminado alemão de formação humanista que governou em terras brasileiras as conquistas das Companhias das Índias Ocidentais (1638-1645). Por fim, preterida pelos holandeses em 1654, após 24 anos de guerras, Olinda começa a ser reconstruída.

Fachada da Igreja Nossa Senhora do Carmo


VIVER OLINDA

Olinda deixa de ser capital em 1827 mas não perdeu as tradições religiosas de procissões, que se estendem pelas ladeiras, ligando igrejas, capelas e passos. Apinhada de artistas, tem intensa vida cultural animada por artesãos que se dedicam aos preparativos das festas que colorem intensamente a paisagem.
A população de Olinda, independentemente das transformações socioeconômicas, manteve as tradições ao longo do tempo, não se incorporando às exigências da indústria cultural. As festas locais, com a numerosa participação da população, são representadas sistematicamente nas datas do calendário folclórico. Entre as inúmeras atividades, há folguedos como o bumba-meu-boi, fandangos, maracatus e pastoris e a festa de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, comemorada desde o século XVIII.
Segundo o sociólogo Gilberto Freyre, "Olinda é uma cidade de procissões" - a do Senhor dos Passos, Martírio, Enterro, Ressurreição, Corpus Christi, Nossa Senhora do Monte, Bandeiras, Amparo e Rosário. A representação pictórica da cidade, seja de traços físicos, seja de tradições, é executada por artistas estrangeiros e nacionais como Albert Eckhout, Cícero Dias e tantos outros. Expoentes de seu artesanato, Olinda produz ourivesaria, presépios, construídos desde seus primórdios. Bordadeiras, rendeiras e entalhadores, conhecidos como "pica-paus" se desenvolvem desde a infância.
A música é composta e executada por violeiros e repentistas nas praças da cidade. Há também muitas lendas e mitos, passados de geração a geração por meio da repetição verbal, como os casos de sinos que tocam sozinhos, cobras encantadas, o Cariri nas noites momescas, Dodô, um anjo feio, e Macobeba, um misto de homem e bode.

OLINDA RESTAURADA
Por Percival Tirapeli *

A Olinda restaurada é "um jardim transbordante de obras de arte" (Michel Parent). Conserva-se praticamente intacta desde os tempos em que se elevou à categoria de cidade, em 1676. Sede do bispado do Pernambuco, de intensa, relevante e singular atividade cultural e religiosa, o que justifica o status de bem cultural de valor universal a ser tombado, seus feitos artísticos são testemunhos dos procedimentos construtivos de uma época e representam o desenrolar de sua história, atribulada por diferentes dominações culturais e sociais.

O conjunto jesuítico do Colégio e Igreja Nossa Senhora da Graça, projetado pelo arquiteto jesuíta Francisco Dias, é o único remanescente seiscentista (1592); o Convento e Igreja de Nossa Senhora das Neves, depois da Restauração Pernambucana, torna-se protótipo das construções franciscanas em todo o Brasil, distinguindo-se pelos azulejos que lhe cobrem o claustro, pelas pinturas de tetos caixotonados da capela da ordem terceira e pela sacristia das mais requintadas do Brasil, com talha insuperável de jacarandá. Também os carmelitas ali construíram o primeiro convento, que figura nos quadros de Post como a maior massa arquitetônica em ruínas, do que resta hoje apenas a igreja, com um acervo ímpar de painéis pictóricos barrocos.
Todas as primitivas igrejas de Olinda foram reconstruídas e adornadas, internamente, com a mais fina talha e, externamente, com pórticos de pedra, com destaque para a portada e relevos da Igreja de Santa Teresa.

Fonte:http://www.universia.com.br/especiais/patrimonios_historicos/olinda.htm acesso em 12/02/2010

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Patrimônios da Humanidade no Brasil

Caros alunos,

Para ajudá-los a se prepararem para o Desafio Viagem do Conhecimento vou publicar no blog temas que podem contribuir na confecção da prova local.
O tema inicial é Patrimônios da Humanidade no Brasil.
Tornam-se Patrimônios da Humanidade, os bens naturais e culturais de acepção universal. O conceito por trás desta definição está na visão de que estes sítios pertencem a todos os povos do mundo, independentemente do território em que estejam localizados e com cuja proteção a comunidade internacional inteira tem o dever de cooperar.
O site Universia http://www.universia.com.br/especiais/patrimonios_historicos/index.htm
pretende dar sua contribuição, apresentando a riqueza dos Patrimônios localizados no Brasil e proporcionando um espaço permanente de divulgação de informações sobre o tema e das ações realizadas pelas Instituições de Ensino Superior brasileiras voltadas para estes locais. Para realizar este trabalho, o Universia contou com o apoio do professor da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), Percival Tirapeli.
Cidade Histórica de Ouro Preto

Ouro Preto situa-se no sudeste do Estado de Minas Gerais, ao pé do Monte Itacolomi. Patrimônio único por sua originalidade, concentra exemplares da arquitetura barroca de valor excepcional.
Representa uma experiência artística e urbanística ímpar, testemunho de uma tradição cultural e do gênio critativo humano.
Pela relevância do seu conjunto monumental e seu traçado urbano integrado à paisagem natural, Ouro Preto foi o primeiro bem cultural brasileiro inscrito na Lista do Patrimônio Mundial Cultural, em 1980, por respeitar os seguintes critérios:
representar uma obra-prima do gênio criativo humano
aportar um testemunho único ou pelo menos excepcional de uma tradição cultural ou de uma civilização que continue viva ou que tenha desaparecido
Localização: Serra do Espinhaço, no quadrilátero ferrífero, a sudoeste do Estado de Minas Gerais
Latitude: 20º 23’ 28” sul
Longitude: 43º 30 ’20” oeste
Área total: 1.194 Km2
População: 66.277 habitantes (IBGE, 2000)
Relevo: irregular
Altitude: até 1.179 metros
Clima: tropical de altitude
Temperatura média: entre 27º e 19º Celsius
Índice pluviométrico: 1.500 milímetros, com chuvas de verão
Distância: 87 quilômetros de Belo Horizonte e 15 quilômetros de Mariana

Igreja S. Francisco de Assis, 1766

ALEIJADINHO - O ARQUITETO
Por Percival Tirapeli *

Nasceu bastardo e escravo, “filho natural” do arquiteto português Manoel Francisco Lisboa e de uma de suas escravas africanas. Sua formação, conta Rodrigo Bretas (1858), seu primeiro biógrafo, foi a escola das primeiras letras e, talvez, algumas aulas de latim. Com respeito às artes, os mestres foram o próprio pai, arquiteto de grande projeção na época, e o pintor e desenhista João Gomes Batista, abridor de cunhos na Casa de Fundição da então Vila Rica, com os quais aprendeu arquitetura e desenho ornamental (Bazin, 1975, p. 200).
Suas obras em Vila Rica, além das igrejas, se espalham também em chafarizes, como no Hospício da Terra Santa e Palácio dos Governadores. O projeto original da fachada da Igreja Nossa Senhora do Carmo, que era de seu pai, e mais tarde a preciosa portada de pedra-sabão, os púlpitos, os altares laterais de Nossa Senhora da Piedade (1807) e São João Batista (1809), o risco dos demais e na sacristia, o lavabo.
Com 28 anos de idade, foi chamado para projetar a Igreja de São Francisco de Assis. Desenhou toda a planta e fachada e mais tarde (1774) esculpiu a portada com os medalhões, entalhou o retábulo da capela-mor em 1790-1794 e fez os projetos dos altares laterais, os púlpitos de pedra-sabão, o lavabo da sacristia. Traçou o risco da capela-mor da Igreja de São José (1773), irmandade à qual pertencia, e também da Igreja das Mercês e Perdões (1774-1778), incluindo a imagem da padroeira — parte do acervo do Museu da Prata, na Igreja Nossa Senhora do Pilar.
Sua obra escultórica se encontra, além das igrejas acima, no Museu da Inconfidência, com um altar de capela de fazenda de Serra Negra e uma sala dedicada a pequenas esculturas inclusive de presépio. No Museu Aleijadinho, na Matriz de Antônio Dias, onde está enterrado no altar de Nossa Senhora da Boa Morte, há quatro leões funerários (Barbosa, 1984).
Tem ainda projetos e riscos de igrejas e altares nas cidades vizinhas de Sabará, Catas Altas, Congonhas do Campo, Nova Lima, São João del Rei, Caeté e Tiradentes.


Interior da igreja S. Francisco de Assis, 1766

POEMA BARROCO
Por Percival Tirapeli *

Primeiro sítio brasileiro a receber a denominação de Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade pela Unesco, Ouro Preto é a principal cidade do ciclo do ouro brasileiro. Nela nasceu o genial artista colonial das Américas, Antônio Francisco Lisboa. Abrigou, da mesma forma, o mártir da independência nacional, Joaquim José da Silva Xavier. Dois mitos brasileiros, conhecidos pela alcunha de Aleijadinho e Tiradentes, que deixaram marcas decisivas na história das artes e dos ideais políticos de nosso país. Em Ouro Preto, o espírito criador do homem pontilhou um sem-número de obras de arte, transformando-lhe em poema barroco as linhas urbanas ditadas pela paisagem caprichosa.
O tecido histórico de Ouro Preto encontra-se permeado do espírito de liberdade de representantes do movimento literário árcade brasileiro, como o poeta e ex-ouvidor Cláudio Manuel da Costa, e de homens literatos, como o também poeta e ex-ouvidor Tomás Antônio Gonzaga, autor de versos essenciais da lírica brasileira.
Cidade de aspecto ímpar, foi roteiro obrigatório de urbanistas e arquitetos modernistas (Lúcio Costa, Le Corbusier, Niemeyer), literatos e críticos (Aldous Huxley e Blaise Cendrars). Pela pujança, inspirou poetas como Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meirelles, com o Romanceiro da Inconfidência, Manuel Bandeira, autor do Guia de Ouro Preto, e Mário de Andrade, com os ensaios sobre Aleijadinho. Seus heróis inconfidentes foram imortalizados na música pela suíte Vila Rica, de Heitor Villa-Lobos, e pelas cores no painel Tiradentes, de Cândido Portinari.

Forro da igreja Santa Ifigênia

ESTÉTICA MINEIRA

A natureza ofereceu excelente matéria-prima para arquitetos, mestres canteiros e artistas — como Aleijadinho e seu pai, o arquiteto Manoel Francisco Lisboa (criador de verdadeira escola de arquitetura mineira) —, que utilizaram rochas locais, como o itacolomito e a pedra-sabão, para construir as estruturas das igrejas, portadas, chafarizes e pontes. Nos edifícios religiosos, a sociedade ali estruturada projetou as aspirações espirituais e os desejos de ostentação de riquezas. Exemplos são as pequenas capelas de apenas uma torre separada do edifício e os elementos dispostos nas complexas cerimônias do culto, nos vestíbulos, nas naves, nas capelas, no coro, etc. O partido das fachadas das igrejas seguiu o das duas torres com um triângulo frontão retilíneo e depois curvilíneo, comprimido nas formas retangulares até se chegar a soluções mais complexas de plantas arredondadas. Antônio Francisco Lisboa, recebendo a incumbência de construir em 1760 a Igreja de São Francisco de Assis em Ouro Preto, realizou uma obra inovadora para a arquitetura daquele tempo, conferindo-lhe unidade plástica ímpar, ao unir o corpo retilíneo da nave a torres sineiras arredondadas e a volumosas colunas, sustentando o triângulo frontão interrompido. Para dar graça e leveza ao portado, um refinado relevo nasce dos umbrais e se ramifica pelo óculo até o brasão dos terceiros franciscanos.
O desenvolvimento da arquitetura de estilo barroco foi gradual até 1740. As primeiras construções foram de taipa, logo substituídas pela pedra, o que possibilitou, a partir de 1760, que artistas e artesãos rompessem os limites antes impostos pelos materiais utilizados, que tornavam difícil novas possibilidades de criação. Esse pequeno grupo de artistas interpretou os estilos como um ideal estético, procurando, ao lado de um trabalho artesanal árduo, soluções originais para os problemas que se apresentavam, como o emprego da pedra-sabão para substituir o mármore e a madeira nas esculturas, e o uso de pigmentos próprios da região nas pinturas inspiradas em gravuras européias, que ganhavam cor e graça com isso. Mimetizando a ambientação dos monumentos na natureza local, o interior das igrejas constitui-se em formas ricas e coloridas.
A profusão de ornamentos dourados encontrados em Ouro Preto mostra o elevado patamar a que chegou a arte barroco-rococó em Minas Gerais. Inicialmente, a ornamentação era abundante e policromada, como na Matriz de Antônio Dias (1710). Em um segundo momento, denominado “estilo Dom João V” (1720-1760), a decoração interna dos templos começa a apresentar invocações de modismos segundo a nova capital da colônia, Rio de Janeiro, introduzidos pelo entalhador Francisco Xavier de Brito. Arcanjos e dosséis passam a coroar retábulos e reduz-se a policromia, com a utilização de mais ornamentos dourados e brancos.
Nesse contexto, a Matriz do Pilar é obra de excepcional valor estético, além da capela do Padre Faria e da Igreja de Santa Efigênia. Nesta última, os retábulos, obras de Aleijadinho, denotam já um terceiro estilo de ornamentação, denominado rococó (1760-1800). Nessa fase, os elementos decorativos ganham dignidade arquitetônica, com composições assimétricas que se ampliam sobre paredes brancas, sem exageros e com uma policromia leve, azulada ou avermelhada. Finalmente, no século XIX retomam-se as linhas neoclássicas com uma simplificação absoluta. A Igreja de São Francisco de Paula (1804-1878) é o melhor exemplo (Ávila, 1980).
Com respeito à atividade pictórica mineira, ela afirma-se, na última etapa, como símbolo de arte nacional, ao constituir manifestação estética em que se distingue o caráter religioso advindo de sua condição de funcionalidade religiosa e o caráter laico perceptível na graça dos símbolos que exprimem a dinâmica histórica da sociedade que as produziu. Ao lado de mestres como o marianense Manoel da Costa Ataíde (1762-1830), inumeráveis artistas, muitos mulatos, produziram uma relevante pintura arquitetônica conforme os ditames estéticos da pintura do século XVIII. Da mesma forma, a música, especialmente a vocal religiosa, espalhou-se de maneira magnífica e abundante nas cidades mineiras. Em Ouro Preto, o pintor mestre Ataíde retratou uma orquestra angelical no teto da Igreja de São Francisco de Assis (1804-1807). Ainda hoje, composições desse estilo do final do século XVIII se fazem presentes nas missas solenes, nos Te Deum e nas procissões.

URBANISMO

Sob as tensões sociais do século XVIII, Vila Rica desenvolve um estilo particular com inovações no urbanismo, arquitetura, escultura, pintura e música, em meio a uma natureza preciosa e propícia ao desenvolvimento. Inicialmente, a cidade encontrava-se dividida em dois arraiais, dos paulistas e dos emboabas, que se desenvolveram em profundos vales cortados por córregos e encostas íngremes. Nesse traçado urbano informal, interligado por inúmeras pontes, ladeiras de forte declive dividiam o casario feito de pau-a-pique (paredes de barro e estrutura de madeira) e afluíam à Praça Tiradentes, no alto do morro, onde o Palácio dos Governadores e o Edifício da Câmara e Cadeia, hoje Museu da Inconfidência, dominavam a cidade. Situadas em plataformas naturais, as igrejas das ordens terceiras e confrarias sobrepunham-se ao casario civil, os quais se enfileiram e se escoram subindo e descendo ladeiras. Com escadarias nos adros, esses templos compunham, auxiliados pela natureza, espaços cênicos de efeitos pitorescos (Bandeira, 1963).
As igrejas negras também assumem papel importante nesse sítio de confronto racial. São exemplos a Igreja de Santa Efigênia, que tem uma pintura representando um papa negro em homenagem ao escravo Chico-Rei, que a patrocinou, e um adro de onde se divisa grande parte do povoado dos paulistas; e a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no arraial dos emboabas, que ostenta o mais barroco projeto da arquitetura brasileira, com planta elíptica, próxima à dos modelos do arquiteto romano Borromini.

Igreja Nossa Senhora da Conceição, 1727

TERRA DO OURO

Ouro Preto parece ter nascido com o toque de Midas, privilegiada "por uma natureza ciclopicamente barroca", no dizer do ensaísta Lourival Gomes Machado. Plantada na Serra do Espinhaço, no interior da colônia, é emoldurada por paisagem excepcional onde alteia o Pico do Itacolomi, marco visual para os bandeirantes paulistas que lá chegaram em 1693.
Os exploradores paulistas, que buscavam aprisionar índios e obter riquezas, encontraram no interior do país, na então província de São Paulo, a terra do ouro, as Minas Gerais. Partindo da cidade de Taubaté, pela Serra da Mantiqueira, lançaram-se a uma aventura que culminaria com a construção de um novo Brasil. A base da nova sociedade não era mais a terra, como ocorrera no ciclo da cana-de-açúcar, que gerara prontamente estáveis núcleos urbanos, transformados em portos para a exportação. Ao contrário, foram o ouro e diamante que afloravam dos veios que fizeram prosperar grande quantidade de arraiais, elevados posteriormente à condição de vilas, tão diferentes do binômio fazenda-cidade do litoral. A mineração criou um novo paradigma da ordem social no Brasil colônia.
A aventura do ouro durou apenas cerca de quarenta anos. Com a estagnação, a população afastou-se dos núcleos urbanos em direção a áreas vazias, desenvolvendo atividades de subsistência que enfrentavam problemas com o transporte de víveres, bem como com a instalação de indústrias — ambos proibidos. Com o endividamento da população, a voracidade da máquina fiscalizadora da Coroa e o não pagamento dos tributos, geraram-se pequenos conflitos, resultando na Conjuração de Vila Rica (1788-1789), calada pela traição e sufocada pela lei.
Entre os alferes perseguidos, o silêncio maior foi imposto a Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, preso, sumariamente julgado no Rio de Janeiro, enforcado, esquartejado, cujos pedaços foram expostos no Caminho Novo às Minas, até chegar a cabeça salgada, empalada e exposta em praça pública — em frente ao Palácio dos Governadores em Vila Rica — para gáudio da rainha Maria I, que anos depois enlouqueceria.
fonte: http://www.universia.com.br/especiais/patrimonios_historicos/index.htm acesso em 12/02/2010

Petróleo fecha em alta a US$ 77,33 por barril

Fonte: Agência Estado

Nova York - Os contratos futuros de petróleo subiram modestamente, alcançando a máxima em 3 semanas, depois que a divulgação de dados econômicos nos Estados Unidos mostraram um forte desempenho do setor de construção de casas e da produção industrial no país. Mas os ganhos foram limitados pela expectativa em torno da divulgação do relatório semanal do American Petroleum Institute (API) com os níveis dos estoques comerciais de petróleo e derivados dos EUA, prevista para após o fechamento do mercado. Os analistas esperam que o relatório aponte uma recuperação lenta da demanda por petróleo.

O contrato futuro do petróleo tipo WTI com vencimento em março, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), fechou em alta de 0,42%, aos US$ 77,33 por barril. O preço mínimo durante o dia foi de US$ 76,53 e o máximo, de US$ 77,82 o barril, incluindo o pregão eletrônico. Em Londres, o contrato futuro do petróleo tipo Brent com vencimento em abril avançou 1,44%, para US$ 76,27 por barril. A mínima foi de US$ 75,40 e a máxima de US$ 76,47.


O mercado de petróleo recebeu um estímulo no início da sessão, após o Departamento do Comércio dos EUA informar que o número de novas construções residenciais no país subiu 2,8% em janeiro sobre o mês anterior, para a taxa anual ajustada sazonalmente de 591 mil, a mais alta desde julho de 2009. O Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) também informou que a produção industrial cresceu 0,9% em janeiro, acima da média da estimativas dos analistas de uma alta de 0,8%.


O dados se somaram à onde de otimismo com a economia mundial que levou os preços do petróleo a subirem cerca de 4% ontem. Os investidores foram encorajados nesse dia pela aparente disposição da União Europeia em ajudar a Grécia a reduzir seu déficit orçamentário, o que diminui as chances de uma desaceleração econômica conduzida por déficits no continente.


No entanto, como a dívida soberana continua a ser um risco para a Europa e a economia dos EUA se mantém em bases pouco firmes, o petróleo não está completamente pronto para desafiar elevações recentes acima de US$ 80 o barril, disse Matt Zeman, presidente de negociações da LaSalle Futures Group em Chicago. "As pessoas estão pulando para dentro, mas não estão pulando com os dois pés", acrescentou Zeman. As informações são da Dow Jones.

Faraó Tutancâmon morreu de malária e infecção óssea, diz estudo

Fonte: BBC

foto: Divulgação

O seu túmulo não foi tão suntuoso quanto o de outros faraós, mas mesmo assim é o que mais fascina a imaginação moderna pois foi uma das raras sepulturas reais encontradas quase intacta
O faraó egípcio Tutancâmon pode ter morrido de malária combinada com uma rara infecção nos ossos, sugere um estudo publicado nesta terça-feira (16) na revista científica "Journal of the American Association".
Os cientistas, liderados pelo arqueólogo-chefe do Egito, Zahi Hawass, passaram dois anos pesquisando os restos mumificados do faraó, que morreu aos 19 anos, e de outras dez múmias pertencentes à família real, inclusive a avó e o pai de Tutancâmon, para extrair amostras de DNA.
Na análise do DNA do faraó, os pesquisadores encontraram sinais do parasita da malária - a mais antiga prova genética da doença já identificada. Além disso, o estudo sugere que Tutancâmon poderia ter sofrido de uma inflamação rara nos ossos, chamada de Doença de Kohler.
O faraó ainda teria um pé torto congênito e uma curvatura na espinha. Segundo os pesquisadores, essas descobertas explicariam por que foram encontrados cajados e pedaços de madeira entre os pertences de Tutancâmon, que poderiam ter sido usados como bengalas pelo faraó.
Desde a descoberta da tumba intacta do faraó por Howard Carter, no Vale dos Reis, em 1922, acadêmicos vêm especulando sobre o motivo da morte prematura de Tutancâmon e sugerem que ele pode ter sido traído e assassinado.
Outras teorias sugerem que ele poderia ter sido atropelado por uma charrete ou que, como morreu novo e não deixou herdeiros, o faraó poderia sofrer de uma doença genética.
Alguns artefatos da época mostram que a realeza tinha uma aparência curvada e feminina, o que, segundo alguns acadêmicos, seria típico de condições hereditárias como a síndrome de Marfan, caracterizada por membros longos. Mas a equipe de Hawass rejeita essas explicações.
A explicação oferecida pelo estudo sugere que Tutancâmon teria quebrado a perna pouco antes de morrer. Por conta da doença, o osso não teria sido curado de maneira adequada, o que teria provocado uma infecção.
Segundo a hipótese sugerida pela pesquisa, com o corpo já fragilizado e suscetível a infecções, a malária foi fatal para o faraó.
"Uma fratura repentina na perna provavelmente causada por uma queda pode ter resultado em uma condição que pôs a vida dele em risco depois da infecção com a malária", disse Hawass.
"Sementes, frutas e folhas encontradas na tumba, e possivelmente usadas como tratamento médico, apoiam esse diagnóstico", afirmou.
Segundo o professor de antropologia física da Universidade de Liverpool Bob Connolly, que já examinou a tumba de Tutancâmon, disse que os pesquisadores foram "sortudos" por terem conseguido extrair amostras de DNA do faraó egípcio para o estudo.
"Ele não é uma múmia bem preservada. É uma carcaça carbonizada. Hawass e a equipe dele foram incrivelmente espertos e sortudos por terem conseguido isso", disse Connolly.
Ele não descartou que Tutancâmon tenha morrido de malária, mas disse que pessoalmente duvida disso. "Só porque eles encontraram o parasita no sangue dele não significa necessariamente que ele sofria de malária ou que morreu disso. A doença pode não ter causado nenhum problema a ele", afirmou.
"Eu ainda acredito que ele tenha sido atropelado pela charrete. A cavidade do peito dele estava perfurada e ele tinha costelas quebradas", disse.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

III Desafio Viagem do Conhecimento: Como se preparar?

Como se preparar
Prezado estudante, aqui você encontra dicas e sugestões sobre como se preparar melhor para fazer as provas do Desafio National Geographic.

Mas não espere respostas ou caminhos prontos. Com a ajuda de seu professor, procure criar grupos de estudos fora do horário escolar. Apresentaremos algumas pistas e sugestões para sua orientação. Caberá a você mesmo pesquisar, ler, consultar professores e se aprofundar nos temas sugeridos. Neste espaço, publicaremos dicas de reportagens, sites, links e textos que podem auxiliá-lo. Selecionamos também algumas provas com conteúdos semelhantes aos solicitados no concurso. Vá fundo!

Gosta de mapas e precisa de uma fonte confiável para fazer suas pesquisas escolares?

Então acesse o Atlas Geográfico Escolar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão oficial do governo, que oferece um conteúdo apropriado para jovens estudantes. Nesse link você encontra mapas com a divisão político-administrativa de todos os estados brasileiros, além de mapas sobre hidrovias, população, densidades demográficas e parques e reservas indígenas, entre outros temas.


Que tal viajar pelo Brasil sem sair da frente do computador?

É uma boa, não? Então acesse o site do Guia Rodoviário do Guia Quatro Rodas, da Editora Abril. Você encontra um roteiro detalhado do trajeto rodoviário da viagem de carro, as distâncias a serem percorridas, além de informações sobre as condições das rodovias, distâncias e gastos com pedágios. É possível fazer uma viagem virtual para qualquer. Que tal transformar o aprendizando numa brincadeira familiar? Envolva seu familiares, por exemplo perguntando a seus pais qual foi a cidade mais distante que eles já visitaram. Com certeza, eles lembrarão de fatos interessantes e curiosos que rolaram nessa viagem.


A verdade sobre a Amazônia

Em 2008 o site Planeta Sustentável publicou uma grande grande reportagem produzida pela revista Veja sobre o que está acontecendo com a Amazônia. De forma simples, direta e objetiva, a matéria procura reunir as principais informações sobre o que está rolando na maior reserva natural do planeta. Imperdível. Confira.


O planeta pede água

Outra bola dentro do site Planeta Sustentável é a reportagem sobre o crônico problema da falta de água potável no planeta. A coisa é séria. Alguns especialistas até preveem que não demorará muito para haver conflitos entre países que disputam mananciais de água. Ela é fundamental à vida. Mas nem todos têm acesso a ela. Relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU) repetem o diagnóstico cada vez mais alarmante: mais de 1 bilhão de pessoas – o equivalente a 18% da população mundial – não têm acesso a uma quantidade mínima aceitável de água potável.


Exercícios para quebrar a cabeça

Estudante, você gosta de questões cabeludas para testar o seu conhecimento? Então, aproveite. Acesse o site que contém as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação, e veja como foram as avaliações de 1998 a 2008. Taí um bom caminho para ir bem no Desafio National Geographic.


Tudo sobre o aquecimento global

Você tem dúvidas sobre o que é o aquecimento global e como suas consequências, como as mudanças climáticas, podem influenciar a vida de todos nós? Então baixe a cartilha preparada pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) e discuta com seus colegas. A informação é do site Planeta Sustentável, da Editora Abril.


Ouro Preto recupera patrimônio histórico

Depois de anos de descaso e ataques ao seu patrimônio, enfim a cidade de Ouro Preto (MG) começa a dar a volta por cima e trabalha duro para recuperar o rico patrimônio histórico da cidade. A reportagem foi publicada pela revista Viagem e Turismo.


A complexa questão dos imigrantes legais e ilegais

Cerca de 175 milhões de pessoas hoje vivem fora de seus países de origem. Esse elevado número engloba tanto os imigrantes -- legais ou ilegrais -- quanto os refugiados. A questão é complexa e mereceu reportagens, artigos e entrevistas publicadas no site da revista Veja, que também preparou um mapa virtual sobre o tema.




Você já ouviu falar em rios voadores da Amazônia?

Não... Então leia a reportagem publicada no site Planeta Sustentável. De quebra, você ainda você se delicia com belas imagens aéreas feitas pelo piloto e fotógrafo Gérard Moss.


Aborígene, floresta xerófila, IPCC, troposfera...

Você não sabe exatamente o que significam essas palavras e sigals estranhas e tem muitas dúvidas quanto a outros termos que sempre aparecem nas aulas de Geografia ou Biologia? Então, consulte o Glossário preparado pelo site Planeta Sustentável. Ele pode ser muito útil nos estudos e na preparação para o Desafio.


A destruição silenciosa do Cerrado

O Cerrado é um dos maiores biomas brasileiros. São mais de 2 milhões de quilômetros quadrados, que representam cerca de 24% do território brasileiro. Já foram registradas cerca de 12 mil espécies de plantas -- estima-se que possam existir outras 20 mil. Cerca de 4 mil espécies são endêmicas da região. Mas toda essa riqueza natural corre séries riscos. Confira no artigo escrito pelo jornalista Washington Novaes publicado na National de outubro de 2008.


Leia a revista National Geographic

A revista National Geographic Brasil é uma boa fonte de informação sobre as diferentes realidades do mundo contemporâneo. Para consultá-la dirija-se à biblioteca de sua escola ou a uma biblioteca pública de sua cidade. Importante: não se atenha apenas às matérias de cunho geográfico. Procure ler outros assuntos que constam da revista, como reportagens sobre energia, história, arqueologia, vida animal, entre outras.

Dica: procure ler os textos com muita atenção, faça fichas-resumo de cada reportagem e tente extrair as ideias principais do texto. Fique atento aos processos geográficos e históricos que estão em jogo. Depois, relacione com outros conhecimentos que você já adquiriu. Não se esqueça de analisar detalhadamente fotos, mapas, gráficos e tabelas. Procure “ler” as imagens com olhar crítico.

Além do estudo individual, com a orientação de seu professor, você também pode criar grupos de estudo, reunindo outros jovens que participarão do Desafio. O seu professor também pode auxiliar na elaboração de projetos coletivos de pesquisa em diferentes fontes e na elaboração de testes de conhecimentos para os alunos.

Mas se você não tem acesso à revista impressa, não se preocupe. Praticamente todo o seu conteúdo está no site da revista, que é atualizado no início de cada mês. Uma boa dica é reproduzir o texto do site em um documento Word. Com uma ferramenta marca-texto, selecione os principais conceitos, acontecimentos e processos e reflita sobre eles.
Em seguida, escreva textos explicativos sobre os temas e assuntos selecionados e discuta os resultados com seus colegas e o professor. Você poderá também criar um banco de textos, mapas e gráficos. No site, você também tem acesso às fotos e mapas interativos disponíveis e poderá participar dos Quiz sobre as reportagens.
Outra sugestão para aperfeiçoar seus conhecimentos. Acesse constantemente o site Planeta Sustentável, que reúne notícias, reportagens e artigos publicados por várias revistas da Editora Abril. Lá, você encontra matérias interessantes, em especial sobre o Brasil, nas áreas de ambiente, sustentabilidade, energia, transportes, entre outros temas. Vale também pesquisar o Atlas National Geographic, uma obra composta por 26 volumes lançada em 2008.
Por fim, não deixe de fazer os exercícios propostos por seu professor e fique atento ao conteúdo de seu livro didático. O importante, porém, é ter consciência que para ir bem no Desafio é preciso se superar e se dedicar. Aproveite para esta oportunidade para adquirir mais conhecimento. Esta é uma viagem sempre prazerosa e pode render bons resultados. Bons estudos.


O que vai cair nas provas?

Estudantes e educadores nos perguntam sobre quais serão os temas que cairão na prova regional do dia 26 de setembro. Não é o objetivo deste desafio adiantar esses conteúdos. Recomenda-se que os estudantes naveguem por todos os links deste site e leia atentamente as seções Novidades, Como se Preparar e Blog e leiam atentamente as reportagens publicadas no site da revista National Geographic Brasil, inclusive os blogs, cujos conteúdos podem ser usados na produção das provas. O mesmo vale para os professores que encontram dicas preciosas no Guia para Educadores e outras informações importantes na Matriz de Referência.

Além disso, os estudantes devem procurar seus professores para, juntos, organizarem um programa de estudos com o material disponibilizado neste site. Em 2008, por exemplo, muitos professores organizaram aulas especiais no contraturno preparadas com o material disponível neste site. Também recomenda-se o acesso às provas da edição de 2008 que podem ser de muita valia para os estudos.

fonte: http://www.viagemdoconhecimento.com.br/desafio/como-se-preparar.php acesso em 17/02/2010

III Desafio Viagem do Conhecimento

Alunos,

Nem bem o ano começou e a revista National Geographic preparou uma grande surpresa: o desafio vai começar ainda no 1º semestre! Isso mesmo a primeira prova chamada de local vai ocorrer no dia 09/06/2010 nas escolas participantes e as provas regionais e nacionais ocorreram dentro do 2º semestre.

Para quem não sabe:

O Desafio National Geographic é a maior olimpíada de Geografia do Brasil. Em sua terceira edição, o evento integra o projeto Viagem do Conhecimento, idealizado pela revista National Geographic Brasil e realizado pela Editora Abril.
Seus objetivos:
- Estimular jovens estudantes de Ensino Fundamental e Ensino Médio, com seus núcleos familiares e escolares, a conhecer melhor o espaço, o país e o mundo onde vivem;
- Disseminar a cultura de viagem como experiência para ampliar o conhecimento do Brasil e do mundo;
- Contribuir para a melhoria da qualidade de ensino da disciplina de Geografia e áreas afins;
- Propiciar o enriquecimento do trabalho de professores em escolas públicas e particulares, contribuindo para sua valorização profissional;
- Incentivar estudantes e educadores a avaliarem as relações sociedade-natureza sob uma perspectiva crítica, ética, solidária e sustentável.
Para participar:
- O Desafio National Geographic 2010 é aberto a alunos regularmente matriculados no oitavo e nono anos (antigas sétima e oitava séries) do Ensino Fundamental e na primeira série do Ensino Médio.
- O Desafio é realizado em três etapas: Local, Regional e Final, conforme previsto no Calendário.
- Na fase Local, o próprio educador responsável se encarrega de baixar, imprimir, aplicar e corrigir as provas disponibilizadas na Área Restrita.
- Na fase Regional, os alunos selecionados se deslocam para Escolas-Sedes, responsáveis por aplicar as provas. Nesta etapa, a organização do Desafio imprime e envia as provas para cada Escola-Sede.
- Todas as escolas inscritas podem se candidatar voluntariamente a Escola-Sede. Basta preencher o Formulário na Área Restrita.
- Na fase Final realizada em São Paulo ou em outra cidade indicada pelo Comitê Gestor, as provas são impressas, aplicadas e corrigidas pela Equipe Pedagógica do Desafio.
Para estudar:
Os principais assuntos que serão contemplados nas provas do Desafio 2010 podem ser pesquisados na Matriz de Referência, como relações sociedade-natureza, usos dos recursos naturais, sustentabilidade, cidades, patrimônios culturais da humanidade, inovações nos sistemas de energia, transportes, comunicações e informações, a mobilidade espacial e a constituição de uma escala global de relações humanas, além de habilidades de leitura, produção e interpretação de mapas e textos em diferentes gêneros.

Calendário

5/2 Início das inscrições
1/6 Término das inscrições
9/6 1ª prova – fase Local
10/6 Divulgação das escolas-sede da fase Regional
11/6 Divulgação do gabarito prova fase Local
18/6 Prazo final para cadastramento dos alunos para a fase Regional
2/7 Início do envio da prova fase Regional para as escolas-sede
21/8 Realização da prova fase Regional
27/8 Prazo final para envio dos gabaritos da prova fase Regional
10/9 Prazo final para correção dos gabaritos da prova fase Regional
22/9 Divulgação dos finalistas para fase Final em São Paulo-SP
14 a 17/10 Fase Final em São Paulo: prova da fase Final e evento de premiação

Prêmios

Os alunos selecionados nas etapas local e regional são premiados com uma viagem a São Paulo ou outra cidade brasileira indicada pelo Comitê Gestor, acompanhados de seus pais e professores responsáveis, onde será disputada a fase Final. Em São Paulo, haverá uma intensa programação cultural pelos principais pontos turísticos da cidade, além de um trabalho de campo acompanhado pela Equipe Pedagógica do Viagem do Conhecimento.

Regulamento

É importante que todos leiam atentamente o Regulamento do Desafio.
Para saber mais click na foto do Desafio no canto direito do blog.
Judeus retratados em "carro alegórico" nazista, em 1934
Os nazistas exploraram o Carnaval como uma forma de disseminar sua noção de “povo” e de nação. É o que mostra o livro “Carnaval no Terceiro Reich”, dos historiadores alemães Carl Dietmar e Marcus Leifeld. Os judeus, claro, eram alvos preferenciais.

A primeira coisa que os nazistas fizeram a respeito do Carnaval quando chegaram ao poder foi acabar com seu espírito crítico aos governantes. Assim, ficou proibido falar de Hitler nos desfiles – embora, em uma revista da época, o Führer tenha sido desenhado ao lado de uma dama carnavalesca.

Além disso, os desfiles do “Carnaval nazista” eram organizados como uma parada militar. E os homens eram proibidos de se vestir de mulher, porque isso lembrava o indesejável homossexualismo.

fonte: http://blog.estadao.com.br/blog/guterman/?title=carnaval_nazista&more=1&c=1&tb=1&pb=1 acesso em 12/02/2010

Carnaval: A festa que não sai de moda



Conheça um pouco mais sobre a origem e sobre a festa do Carnaval

Datada de 1899, a composição "Ô Abre Alas", de Chiquinha Gonzaga (1847-1935), é a primeira marcha carnavalesca de que se notícia. Composta para o cordão Rosa de Ouro, do tradicional bairro do Andaraí (RJ), ela traz versos simples, objetivos, mas com uma capacidade de persuasão imensa para fazer dançar do simples operário da fábrica ao mais poderoso empresário das indústrias: Ó abre alas que eu quero passar Ó abre alas que eu quero passar Eu sou da lira não posso negar Eu sou da lira não posso negar Ó abre alas que eu quero passar Ó abre alas que eu quero passar Rosa de ouro é que vai ganhar Rosa de ouro é que vai ganhar

No final do século XIX, os jornais da capital chamavam e cordões carnavalescos os “grupos de foliões mascarados e provocadores”. Eram grupos de foliões que saíam às ruas fantasiados, satirizando personalidades e cantando de tudo, desde canções folclóricas a trechos de ópera e fados. Atualmente, mais de cem anos depois dos primeiros grupos de rua, a tradição está de pé e cada vez mais forte em todos os cantos do Brasil. Quando chega o mês de fevereiro, folião que é folião substitui o bater do coração pelo rufar dos tambores.
Carnaval de Rua: Militão Santos
De origem européia, o Carnaval tem origem nas celebrações das colheitas dos povos da antiguidade, tendo chegado ao Brasil na Era Moderna, trazido pelos portugueses. Já na colônia, no século XVI, há relatos de escravos fantasiados e outros blocos de foliões, que saíam pelas ruas dançando o "entrudo". No século XIX, foram os Bailes Cariocas que atiçaram o espírito dos brincalhões. Depois disso, o carnaval brasileiro deslanchou, com os Cordões, os Ranchos e, claro, as escolas de samba, bem como os blocos de rua, que hoje parecem ter reencontrado a velha forma.

O carnaval já foi tema também de inúmeros estudos acadêmicos. Talvez o mais famosos estudo pertença ao filósofo russo Mikahil Bakhtin. Debruçando-se sobre os aspectos da cultura popular da Idade Média européia, Bakhtin estudou aquilo que chamou de "carnavalização", os efeitos de uma festa popular antiga que desde há muito tempo subverte a ordem, o pecado e as alegorias do mundo cristão e pagão. Espécie de emancipação social, a carnavalização era para o filósofo russo uma linguagem simbólica, que pontua a divergência entre o oficial e o não-oficioal, a ruptura com tudo o que é institucionalizado. “O núcleo dessa cultura, isto é, o carnaval não é de maneira alguma a forma puramente artística do espetáculo teatral e, de forma geral, não entra no domínio da arte. Ele se situa nas fronteiras entre a arte e a vida. Na realidade, é a própria vida apresentada com os elementos característicos da representação”, disse Bakhtin. (BAKHTIN, M. A cultura popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François Rabelais. São Paulo: Hucitec/ UnB 1999)

O Café História deseja a todos um ótimo carnaval em 2010 e sugere alguns itinerários enquanto a festa mais famosa do mundo acontece. Se entre um bloco e outro você quiser descansar o corpo, nós indicamos algumas leituras para descansar a mente. Confira:

Carnaval, uma Cronologia (Apresentação)
http://veja.abril.com.br/cronologia/carnaval/index.html

Ecos da Folia (livro)
http://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=&id=xv-d3IK0fhcC&oi=fnd&pg=PA11&dq=Carnaval&ots=x2VYDeq6ZX&sig=xer2AOV3VnKDW76tlRptgFu5xp4#v=onepage&q=&f=false

Fonte:http://cafehistoria.ning.com/ acesso em 17/02/2010